A vida do Teatro de São Carlos entrou numa nova fase imediatamente após a revolução de 25 de Abril de 1974. Nesse ano, João de Freitas Branco, director desde 1970, assume funções governativas, sendo substituído no cargo por João Paes, o qual em 1981 cederia o lugar a José Serra Formigal, que entre 1963 e 1975 tinha estado à frente da Companhia Portuguesa de Ópera sedeada no Teatro da Trindade. Este teve como directores artísticos Mário Moreau (1982-1984) e João de Freitas Branco (1985-1988), deixando o cargo em 1988, aquando da nomeação de um novo conselho de administração, sendo o lugar de director artístico entregue a José Ribeiro da Fonte até 1992, ano em que foi extinta a Empresa Pública do Teatro Nacional de São Carlos, entidade que tinha sido criada em 1980 e agora dava lugar à Fundação de São Carlos¹.
Durante este período foi levado a cabo um projecto de criação de uma companhia residente, associada a corpos artísticos próprios. Logo a partir de 1975, os elencos começam a incluir com frequência os nomes dos principais cantores portugueses da época (tais como Elisette Bayan, Carlos Fonseca, José Oliveira Lopes, Álvaro Malta, Helena Pina Manique e Fernando Serafim), que se transferiam da referida companhia do Teatro da Trindade, aos quais mais tarde se juntariam outros em início de carreira. Para além disso, nesse mesmo ano assiste-se à absorção de boa parte da antiga Orquestra Filarmónica de Lisboa na constituição de um novo agrupamento que mais tarde se designaria Orquestra Sinfónica do Teatro Nacional de São Carlos. Procedeu-se igualmente à criação de um corpo de bailado. Quanto ao repertório, acentuou-se a partir de 1974 o número de estreias nacionais de exemplares do repertório barroco e contemporâneo, destacando-se, durante a direcção de Serra Formigal, o interesse pela apresentação de óperas nacionais, ou estrangeiras em versão portuguesa, com recurso a um elenco de cantores portugueses em paralelo a outro de cantores estrangeiros. No entanto, durante a direcção artística subsequente, assumida por Ribeiro da Fonte, os esforços viraram-se para a internacionalização da actividade do teatro, observando-se uma preferência pela captação dos nomes mais célebres nos circuitos internacionais, acompanhada de um desinteresse por produções próprias².