Companhia Portuguesa de Ópera Lírica dos Alunos do Instituto Musical de Lisboa

1896
Companhia

Biografia

Em Outubro de 1893 era fundada em Lisboa uma nova instituição de ensino da música — o Instituto Musical —, que funcionava num edifício do Largo de São Roque e oferecia classes de rudimentos, piano, violino, violoncelo, canto e harmonia, tendo vários professores em comum com o Conservatório Real de Lisboa e com a Real Academia de Amadores de Música.¹ Na viragem para o ano lectivo seguinte, 1894-1895, apesar das primeiras dissidências que se verificaram, a instituição funcionou ainda assim com novas classes de madeiras, metais, harpa e órgão. Mas o projecto que obteve maior visibilidade nesse segundo ano de actividade foi a apresentação de Les pêcheurs de perles, de Bizet, e de La sonnambula, de Bellini, pelos alunos da escola e a direcção do professor Alfredo de Freitas Gazul. Embora não seja claro se em versão encenada ou versão de concerto, essas representações tiveram lugar no Teatro Avenida, com a colaboração de um coro recrutado em Badajoz, a 24 e 26 de Novembro de 1894, tendo sido repetidas a 8 e 9 de Dezembro. Posteriormente, apresentando-se como a Companhia Portuguesa de Ópera Lírica dos Alunos do Instituto Musical de Lisboa, os mesmos protagonistas haveriam de se apresentar em três espectáculos no Teatro Garcia de Resende, em Évora, e no final do ano lectivo alguns dos alunos de canto realizariam uma tournée que passou por várias cidades do Norte do país.² No entanto, a instituição não parece ter sobrevivido a este segundo ano de actividade.

Referências

  1. Joaquim Carmelo Rosa, Lutando na periferia: o ensino musical em Lisboa (1860-1910) (Edições Colibri / CESEM, 2023), 272-273.
  2. Luís M. Santos, A ideologia do progresso no discurso de Ernesto Vieira e Júlio Neuparth (1880-1919) (Tese de Mestrado, Universidade Nova de Lisboa, 2010), 54-60; Rosa, Lutando na periferia: o ensino musical em Lisboa (1860-1910), 274-275.