Em 1962, o edifício do Teatro da Trindade foi adquirido pela F.N.A.T. (Federação Nacional para a Alegria no Trabalho, dependente do Ministério das Corporações), entidade que no ano seguinte patrocinaria a criação de uma Companhia Portuguesa de Ópera, sedeada nesse espaço e dirigida por José Serra Formigal¹. O empreendimento assumia como propósito criar um centro de formação e produção de ópera com cantores portugueses, assim como realizar récitas populares de ópera e opereta, no contexto de uma estratégia de pretensa «educação de massas». Integrava, nesse sentido, um Centro de Preparação e Aperfeiçoamento de Artistas Líricos, no qual se destacavam, como principais formadores, o tenor Tomás Alcaide e o barítono Gino Bechi. Nesta companhia participaram vários cantores profissionais (como Álvaro Malta, Hugo Casais, Maria Cristina de Castro e Zuleica Saque) e outros que estavam a lançar as suas carreiras (como Elisete Bayan, Elsa Saque, José Oliveira Lopes e Vasco Gil). Para além disso, a companhia agiu em colaboração com outras entidades e figuras estabelecidas no meio musical e teatral da capital: o Teatro Nacional de São Carlos, as orquestras existentes, os principais maestros (Álvaro Cassuto, Manuel Ivo Cruz e Joaquim da Silva Pereira, entre outros) e encenadores reconhecidos (Álvaro Benamor, António Manuel Couto Viana, Gino Bachi e Tomás Alcaide). A temporada lírica, com quatro ou cinco óperas, tinha lugar entre Maio e Julho, prolongando-se ainda em tournées que passaram pelas colónias, por Espanha e pela Bélgica. Quanto ao repertório, a companhia abordou essencialmente as óperas italianas e francesas mais populares do século XIX, bem como algumas óperas de compositores portugueses¹. Apesar das intenções e do investimento realizado, o empreendimento não foi bem-sucedido na renovação do cenário operático em Portugal³.
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