A criação da Fundação Calouste Gulbenkian, em 1956, veio rapidamente exercer um impacto decisivo, a vários níveis, sobre a vida musical portuguesa, por meio de um conjunto variado de iniciativas promovidas pelo seu Serviço de Música, impulsionado pela sua primeira directora, Madalena de Azeredo Perdigão.¹ Entre essas iniciativas contou-se o patrocínio concedido, entre 1961 e 1963, a um projecto exterior, o Grupo Experimental de Ópera de Câmara, dirigido pelo maestro e compositor Filipe de Sousa e constituído por intérpretes nacionais.No curto período da sua existência, explorou repertório do século XVIII e do século XX, nomeadamente obras de Cimarosa, Mozart, Pergolesi, bem como de Busoni, Jean Françaix, Menotti e Stravinski. Esta era uma experiência inovadora em Portugal, mas a recepção fria do público em geral levou a que o Serviço de Música cessasse o seu apoio, transferindo-o para a nova Companhia Portuguesa de Ópera recentemente criada no Teatro da Trindade.²