A Ópera do Castelo é uma estrutura independente de produção de ópera sediada em Lisboa, que se encontra activa desde 2001 e foi formalizada em 2012, dirigida pela soprano, directora artística e produtora Catarina Molder. Assumindo como propósito a difusão da ópera junto de novos públicos e de públicos diversificados, assim como propor novos caminhos e formatos para este género. Apresentou óperas de repertório em versões portuguesas encomendas para o efeito (A Flauta Mágica, La Boheme e Palhaços), como forma de aproximação ao público. Lançou vários projectos inovadores que conciliam a tradição e a contemporaneidade, explorando a condição interdisciplinar do género, sem esquecer a dimensão audiovisual.
Os espectáculos apresentados abordam o repertório tradicional sob novos olhares, mas também com cruzamento inusitados e incluindo espectáculos e outros conteúdos para sensibilizar público mais jovem à canção erudita, à ópera tradicional e contemporânea em recitais e concertos encenados (livro/CD Vamos cantar os clássicos, Leya 2008, canções do repertório em versões portuguesas)) e o CD contópera O Polegarzinho e a verdadeira história de Babar em versão portuguesa, Ópera do Castelo Edições 2011) realizados em espaços de referência (mas também em locais inesperados como os ciclos Ópera Na Rua, em pleno bairro da Mouraria, ou ópera no Bar Lux) e Teatros e auditórios um pouco por todo o país. São efectuadas encomendas de novo repertório vocal e óperas a compositores e libretistas (António Chagas Rosa, Alexandre Delgado, Eurico Carrapatoso, Nuno Côrte-Real, Luís Soldado, Sara Ross, João Ricardo, Ana Seara, Daniela Moreira, Nuno da Rocha, André Hencleeday, Afonso Portugal, Francisco Lima da Silva), e é concedido apoio e palco para emergência a novos intérpretes e encenadores. Lançou ainda a aclamada série de televisão Super Diva – Ópera para todos, com três temporadas (2013, 2015, 2018) para a RTP2, tendo a primeira sido distinguida com o prémio SPA para o melhor programa televisivo, a segunda e terceira co-produzidas pela produtora mítica alemã Unitel, e a terceira também em versão inglesa, em distribuição internacional, contando com a participação das maiores estrelas da ópera mundial (Antonio Pappano, Fiorenza Cossotto, Kristine Opolais, Sonia Yoncheva, Magdalena Kožená, Rolando Villazón, Kasper Holten, René Pape) e onde lança o formato do Twitter opera, breves Óperas em formato de curta metragem, com Ópera contemporânea, em língua portuguesa, de compositores portugueses.1 Em 2020 estabeleceu um novo festival de ópera, anual em Lisboa — o Operafest Lisboa e Oeiras, cujas sucessivas edições têm contribuído para a dinamização do meio operático nacional, afirmando-se como a principal porta de entrada de novos públicos para a ópera em Portugal e palco de talento emergente operático em todas as áreas, cruzando mais uma vez ópera de repertório (Tosca Puccini (2020), Madama Butterfly Puccini (2021), Um Baile de Máscaras (2022), Carmen e A Flauta Mágica Mozart(2023) Cavalleria Rusticana Mascagni e Palhaços Leoncavallo e Don Giovanni (2024), La Traviata de Verdi e Dido e Eneias Purcell (2024) e ópera de vanguarda, com a apresentação de repertório inédito, incluindo estreias nacionais de óperas de referência internacional: A hand of Bridge (2001) e Vanessa (2025) Samuel Barber Jeremias Fisher Isabelle Aboulker (2010), Labirinto Gian-Carlo Menotti (2022), Julie Philippe Boesmans (2025).2 Iniciando à encenação de ópera um número sem procedentes de criativos nacionais. No âmbito deste festival, criou ainda um concurso nacional de composição de ópera contemporânea — Maratona Ópera XXI, que tem proporcionado a emergência de novo repertório e de novos protagonistas, em todas as dimensões da produção operática. Realizou mais de 13 estreia absolutas, de ópera de pequeno e médio formato, assim como formatos alternativos, de onde se destaca, a ópera “O Homem dos Sonhos” de António Chagas Rosa, a partir do conto homónimo de Mário de Sá- Carneiro, que teve a sua estreia absoluta em 2022 no Teatro São Luiz, seguindo em digressão e ainda a produção da sua versão em filme, em 2024 encarnada e realizada por Catarina Molder para a Rtp2, também em distribuição internacional, assim como a edição do seu CD e partitura pela Ópera do Castelo Edições.
Outros projectos mais recentes incluem o lançamento, em 2025, de um novo festival da canção erudita que visa revigorar o género — o Liedfest,3 assim como uma série antológica de ficção com ópera, criada por Catarina Molder para a RTP2, com a realização de Carlos Conceição— Cortina Vermelha —, que assinala a estreia da ópera neste formato audio-visual, a nível mundial.4
Ópera do Castelo Operafest Lisboa e Oeiras O Homem dos Sonhos