Muito embora tenha sido «um dos principais compositores e instrumentistas de tecla da corte portuguesa durante a segunda metade do século XVIII», pouco se sabe acerca da biografia de João Cordeiro da Silva¹. Não se conhecem as datas do seu nascimento ou morte, mas poderá ter viajado para Nápoles, para aprofundar os seus estudos musicais. Sabe-se, contudo, que assinou o Livro de Entradas da Irmandade de Santa Cecília a 21 de Novembro de 1756, o que, na altura, configurava um requisito indispensável para o exercício da profissão de músico².
Em 1759 foi nomeado organista da Patriarcal com funções na Capela Real da Ajuda e, quatro anos mais tarde, passou a ser responsável pela composição de música sacra para a mesma Igreja. A correspondência entre o diretor dos teatros reais, Pedro José da Silva Botelho, e o compositor italiano Niccolò Jommelli (1714-1774) – que estabelecera um contrato com a corte portuguesa em 1769 e estava, por isso, obrigado a enviar para Lisboa obras dramáticas e peças religiosas todos os anos –, revela que João Cordeiro da Silva seria «responsável por grande parte das produções operáticas na corte, incluindo a adaptação das óperas de Jommelli para as condições locais»³.
O compositor acompanhava a família real nas suas estadias em diferentes residências fora de Lisboa, participava em concertos da Real Câmara e atuava em contextos religiosos com patrocínio real⁴. Terá sido professor de alguns membros da família real – nomeadamente de D. João VI e D. Carlota Joaquina, enquanto príncipes, do príncipe D. José e da princesa D. Maria Benedita⁵ –, mas nunca assumiu o cargo de Mestre de Suas Altezas Reais e não acompanhou a transferência da corte portuguesa para o Brasil, por ter, no início do século XIX, uma idade já avançada⁶.
Entre as suas obras dramáticas, apresentadas em vários teatros régios, figuram serenatas, uma oratória, e algumas óperas, quadro delas compostas sobre libretos de Gaetano Martinelli: Archelao, apresentada no Palácio de Queluz a 21 de Agosto de 1785, para celebrar o aniversário de D. João, príncipe do Brasil; Megara Tebana, ouvida no Paço da Ribeira a 25 de Julho de 1788; Bauce e Palemone, apresentada no Palácio da Ajuda a 25 de Abril 1789, no aniversário de D. Carlota Joaquina; e Lindane e Dalmiro, também cantada no Palácio da Ajuda, a propósito do aniversário da rainha D. Maria I, a 17 de Dezembro de 1789⁷. Embora a sua obra dramática não tenha sido ainda alvo de estudo aprofundado ou de apresentações modernas – a exceção é Lindane e Dalmiro, reanimada em 2016, numa produção do Teatro Nacional de São Carlos⁸ –, «uma análise superficial indicia que a sua música é bastante influenciada pelo estilo napolitano e denota várias características da transição para o classicismo»⁹.
2 S | 2 Mz | T | 2 Bar + Orquestra
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