João Cordeiro da Silva

c. 1735
-
1808?
Compositor

Biografia

Muito embora tenha sido «um dos principais compositores e instrumentistas de tecla da corte portuguesa durante a segunda metade do século XVIII», pouco se sabe acerca da biografia de João Cordeiro da Silva¹. Não se conhecem as datas do seu nascimento ou morte, mas poderá ter viajado para Nápoles, para aprofundar os seus estudos musicais. Sabe-se, contudo, que assinou o Livro de Entradas da Irmandade de Santa Cecília a 21 de Novembro de 1756, o que, na altura, configurava um requisito indispensável para o exercício da profissão de músico²

Em 1759 foi nomeado organista da Patriarcal com funções na Capela Real da Ajuda e, quatro anos mais tarde, passou a ser responsável pela composição de música sacra para a mesma Igreja. A correspondência entre o diretor dos teatros reais, Pedro José da Silva Botelho, e o compositor italiano Niccolò Jommelli (1714-1774) – que estabelecera um contrato com a corte portuguesa em 1769 e estava, por isso, obrigado a enviar para Lisboa obras dramáticas e peças religiosas todos os anos –, revela que João Cordeiro da Silva seria «responsável por grande parte das produções operáticas na corte, incluindo a adaptação das óperas de Jommelli para as condições locais»³

O compositor acompanhava a família real nas suas estadias em diferentes residências fora de Lisboa, participava em concertos da Real Câmara e atuava em contextos religiosos com patrocínio real. Terá sido professor de alguns membros da família real – nomeadamente de D. João VI e D. Carlota Joaquina, enquanto príncipes, do príncipe D. José e da princesa D. Maria Benedita –, mas nunca assumiu o cargo de Mestre de Suas Altezas Reais e não acompanhou a transferência da corte portuguesa para o Brasil, por ter, no início do século XIX, uma idade já avançada

Entre as suas obras dramáticas, apresentadas em vários teatros régios, figuram serenatas, uma oratória, e algumas óperas, quadro delas compostas sobre libretos de Gaetano Martinelli: Archelao, apresentada no Palácio de Queluz a 21 de Agosto de 1785, para celebrar o aniversário de D. João, príncipe do Brasil; Megara Tebana, ouvida no Paço da Ribeira a 25 de Julho de 1788; Bauce e Palemone, apresentada no Palácio da Ajuda a 25 de Abril 1789, no aniversário de D. Carlota Joaquina; e Lindane e Dalmiro, também cantada no Palácio da Ajuda, a propósito do aniversário da rainha D. Maria I, a 17 de Dezembro de 1789. Embora a sua obra dramática não tenha sido ainda alvo de estudo aprofundado ou de apresentações modernas – a exceção é Lindane e Dalmiro, reanimada em 2016, numa produção do Teatro Nacional de São Carlos –, «uma análise superficial indicia que a sua música é bastante influenciada pelo estilo napolitano e denota várias características da transição para o classicismo».

Óperas

Bauce e Palemone (1789)

Lindane e Dalmiro (1789)

2 S | 2 Mz | T | 2 Bar + Orquestra
Ver Ópera

Megara Tebana ( 1788)

Telemaco nell’isola di Calypso (1787) 

Archelao (1785)

L’Arcadia in Brenta (1764)

Referências

  1. Cristina Fernandes, «CORDEIRO DA SILVA, João,» in Dicionário Biográfico Caravelas (Núcleo de Estudos da História da Música Luso-Brasileira – CESEM/NOVA FCSH, 2010), 1.
  2. Fernandes, «CORDEIRO DA SILVA, João,» 1
  3. Fernandes, «CORDEIRO DA SILVA, João,» 1-2.
  4. Fernandes, «CORDEIRO DA SILVA, João,» 2.
  5. Ernesto Vieira, Diccionario Biographico de Musicos Portuguezes: Historia e Bibliographia da Música em Portugal. II Volume (Lisboa: Lambertini,1900), 304. 
  6. Fernandes, «CORDEIRO DA SILVA, João,» 2. Manuel Carlos de Brito, “Silva, João Cordeiro da,” Grove Music Online, consultado a 8 de janeiro de 2026.
  7. Fernandes, «CORDEIRO DA SILVA, João,» 2-3. Brito, «Silva, João Cordeiro da,» Vieira, Diccionario Biographico de Musicos Portuguezes, 305.
  8. José Carlos Araújo, «João Cordeiro da Silva em estreia moderna no São CarlosGlosas, consultado a 10 de Janeiro de 2026.
  9. Fernandes, «CORDEIRO DA SILVA, João,» 3.