O tenor Fernando Serafim (1933), natural de Alcobaça, estudou canto no Conservatório Nacional com Arminda Correia e Elena Raggi Pellegrini. Posteriormente, como boleiro da Fundação Calouste Gulbenkian e do Instituto de Alta Cultura, aprofundou a sua formação no estrangeiro entre 1966 e 1971, primeiro com Carla Castellani e Vladimiro Badiali, em Milão, e depois na Akademie Mozarteum em Salzburgo, onde se diplomou em Canto na classe de Lisie Egger e em Música de Câmara na classe de Paul von Shilawsky1.
A sua estreia teve lugar no Teatro Nacional de São Carlos, em 1958, na ópera A guerra, de Rossellini, e no ano seguinte iniciaria uma profícua carreira de concertista em parceria com o pianista e compositor Fernando Lopes-Graça. Em 1962 colaborou com o Grupo Experimental de Ópera de Câmara, e entre 1963 e 1974 foi membro da Companhia Portuguesa de Ópera sediada no Teatro da Trindade, tornando-se a seguir cantor residente do Teatro Nacional de São Carlos, entre 1974 e 1992. Entre 1962 e 1974 foi também coordenador de programas na Emissora Nacional2.
Para além da colaboração com Fernando Lopes-Graça, que o levou a estrear mais de 100 das suas canções e ser o dedicatário de muitas delas, cooperou igualmente na estreia de inúmeras óperas de compositores portugueses, assumindo papéis principais. Manifestou interesse pela música antiga, tendo mesmo integrado os Segréis de Lisboa (1970-1980), e colaborou regularmente com a Companhia de Ópera de Câmara do Real Teatro de Queluz. Envolveu-se ainda com vários outros agrupamentos constituídos por músicos importantes do seu tempo (Constança Capdeville, Elsa Saque, Pedro Caldeira Cabral, entre outros) e apresentou-se em recitais e concertos, em Portugal e no estrangeiro. Colaborou em várias edições discográficas, nomeadamente com a Orquestra Gulbenkian3.
A partir de 1992 dedicou-se essencialmente ao ensino do canto em regime particular e em escolas como o Conservatório de Tomar, o Conservatório de Santarém, a Escola Profissional de Teatro de Cascais e a Juventude Musical Portuguesa. Em 1965 foi laureado com o 1.º Prémio do Concurso Guilhermina Suggia e em 1988 foi distinguido com o Prémio da Canção de Lisboa4.