A soprano Maria Júdice da Costa (1870-1960), natural de Lisboa, demonstrou muito cedo vocação para o canto e para o teatro, estudando no Conservatório entre os 9 e os 19 anos, primeiro piano e depois canto com António Melchior Oliver. A sua estreia, bem-sucedida, teve lugar num espectáculo organizado a favor das vítimas do incêndio do Teatro Baquet, realizado no Teatro de São Carlos a 12 de Abril de 18881. A sua estreia operática teria lugar no mesmo São Carlos, já a 31 de Janeiro de 1890, numa récita de La Gioconda, ao lado de nomes como Eva Tetrazzini e Giuseppina Pasqua. Dado o êxito alcançado, nessa temporada de estreia participaria ainda nas récitas de Le roi de Lahore, Il barbiere di Siviglia e Carmen2. Pelo final dessa temporada, partiu para a Itália, usufruindo de uma bolsa concedida pelo Governo português, para aprofundar os estudos musicais, fazendo a sua estreia a 18 de Outubro de 1890, no Teatro Garibaldi, em Pádua, com a Norma, obtendo boa recepção do público e dando então início a uma bem-sucedida carreira internacional3. Em 1921 fez a sua estreia no teatro declamado, em Lisboa, carreira que também desenvolveria no Brasil. No mesmo ano participou em dois filmes gravados pela Invicta Film (Amor de perdição, realizado por George Pallu, e Mulheres da Beira, realizado por Rino Lupo), e em 1928 viria a participar num terceiro (Fátima Milagrosa, realizado por Rino Lupo)4. Em 1938 deu por terminada a sua carreira nos palcos e no ano seguinte fixou residência em Itália, regressando em 1943 de Milão para Lisboa, onde viria a falecer em 19605.