A Dor de todas as ruas vazias

2019

Descrição

Compositor:

Libretista: Al Berto
Libreto baseado no poema «Notas para o Diário»
Ópera de câmara
Data: 2019
Língua: Português
Duração: 12 minutos
Pequeno formato

Personagens

Soprano
Barítono

Instrumentação

Fl | Fg | Vla | Vc

Sobre a Obra

A conceção desta obra tem como base a sistematização de uma metodologia de composição, desenvolvida como trabalho final de mestrado em Artes Musicais1, que testa uma possível associação entre componentes textuais e elementos musicais. Poderá ser encarada como uma transcrição de caraterísticas textuais para parâmetros musicais.

Para isso foi desenvolvido um processo de transcrição em que o texto é tratado como dados em bruto – consoante os caracteres individuais e combinações entre letras, em silabas, palavras ou frases – resultando em sequências numéricas e alturas de notas, e usadas na construção e motivos, acordes, estruturas, etc.; destas transcrições resultam séries de notas musicais, com alturas e durações específicas, que são tratadas como o material musical disponível para o compositor. Não se trata de uma simples transcrição ou codificação direta de texto em música, mas sim da exploração de como estes processos criptográficos podem ser aplicados artística e criativamente.

 

O libreto consiste no poema de Al Berto «Notas para o Diário»2, e a vertente criptográfica foi conseguida a partir de fragmentos retirados do livro As Flores do Mal, de Fernando Pessoa. Em cada uma das cinco cenas um diferente fragmento de texto de Pessoa serviu como base criptográfica:

Cena I: «Morreu em mim mais do que o meu passado»3;

Cena II: «Absolutamente doido só por sentir, absolutamente roto por me roçar contra

as coisas»4;

Cena III: «Julga-te sempre mais triste e mais infeliz do que és»5;

Cena IV: «Dê-me de beber, que não tenho sede»6;

Cena V: «Nunca fiz mais do que fumar a vida»7.

Estreia

Data: 2019
Local: Palácio do Sobralinho, Vila Franca de Xira
Encenação: Alexandre Lyra Leite
Direcção musical: Luís Soldado
Elenco: Inês Simões, Rui Baeta, Daniela Pinheiro, Catherine Stockwell, João Carlos Barata e Sofia Azevedo

Partituras & Mais Informações

Referências

  1. João Ricardo Pinto, Marchas Populares de Lisboa: A performação musical na identidade bairrista (dissertação de Mestrado em Ciências Musicais, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa, 2004).
  2. Al Berto, Horto de Incêndio (Lisboa: Porto Editora / Assírio & Alvim, 2017), 39–40.
  3. Al Berto, Horto de Incêndio, 39–40.
  4. Fernando Pessoa, As Flores do Mal (Lisboa: Guerra & Paz, 2014), 21.
  5. Fernando Pessoa, As Flores do Mal (Lisboa: Guerra & Paz, 2014), 45.
  6. Fernando Pessoa, As Flores do Mal (Lisboa: Guerra & Paz, 2014), 61.
  7. Fernando Pessoa, As Flores do Mal (Lisboa: Guerra & Paz, 2014), 85.
  8. Fernando Pessoa, As Flores do Mal (Lisboa: Guerra & Paz, 2014), 137.