Libretista: Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada
Libreto inspirado no conto homónimo de Sophia de Mello Breyner Andresen
Ópera infantil em 2 actos
Data: 2004
Língua: Português
Duração: 65 minutos
Pequeno formato
Menina Isabel: soprano
Anão: baixo
Professor de Música: tenor
Bandido: barítono
Sábio: barítono
Árvore: actor/recitante
Coro
«A Floresta de Sophia de Mello Breyner é a história de uma menina que sonha encontrar um anão, no bosque próximo de sua casa. E não só acaba mesmo por encontrar a figura dos seus sonhos, como se vê envolvida numa série de peripécias de que fazem parte um monge, um cavaleiro, um professor de música, um sábio e um tesouro.
Um tesouro escondido há séculos.
O texto poético, muito descritivo e introspectivo, contém uma mensagem clara: os tesouros só trazem felicidade se forem partilhados.»¹
Fl (Picc) | Ob (C ingl) | Cl (Bcl) | Sax A (Sax S) | Fg (Cfg) | 2 Hn | Perc | Gtr | Hp | Pf | 2 Vln | Vla | Vc | Cb
As primeiras palavras são de agradecimento às três pessoas que me desafiaram a viver esta aventura: António Wagner Dinis, que vislumbrou este projecto, sugerindo o meu nome como timoneiro da aventura; Jorge Salavisa, que organizou e produziu este espectáculo, e last but not least, Paolo Pinamonti, director do Teatro Nacional de São Carlos, que aceitou o risco artístico da encomenda da ópera. Escrever para crianças envolvendo crianças tem sido uma experiência muito enriquecedora. No fundo é como escrever para adultos. Não faço quaisquer concessões. Os miúdos detestam ser tratados por tatibitate. Insistir complacentemente em pô-los a cantar O balão do João ou Come a papa Joana, come a papa é ultrajante para as suas capacidades inesgotáveis e para o seu virtuosismo espontâneo.
Mais do que ninguém, a criança tem o gosto natural pelo desafio que uma partitura exigente lhe coloca. É da mais elementar psicologia. E um coro infantil pode mesmo tornar-se num insigne instrumento sinfónico pela sua precisão rítmica, pela sua habilidade de articulação, pela sua agilidade melódica. Poucos aerofones são tão incisivos e tão plenos de luminosidade.
A experiência da ópera é um sonho antigo. Sou um aficcionado da ópera. Considero-a como um dos receptáculos mais incomparáveis das forças criativas do espírito humano. A Floresta foi a minha iniciação no género e nessa medida uma experiência muito estimulante. É a minha propedêutica no drama musical que vem airosamente colocada no corolário da minha colaboração com o encenador João Lourenço em Peer Gynt. Esta partilha estreita de mundividência artística que a escrita de música para cena representa já se me tinha revelado como um jardim de deliciosos frutos. No Peer Gynt, drama falado. Aqui, drama cantado.
Desde a primeira reunião de equipa de A Floresta senti a cumplicidade artística palpitar. De um lado, a faísca de Ana Maria Magalhães e de Isabel Alçada, autoras do libreto. Do outro lado, a fleuma balsâmica do encenador Nuno Carinhas. E em baixo relevo, a presença brumosa de Sophia, a nossa harpa eólica plena de fragrância a Outono, a maçã e a alecrim. Saí daquela reunião hipnotizado e fui ao sabor do vento com a floresta no pensamento.
Data: 2004
Local: São Luiz Teatro Municipal, Lisboa
Encomenda: Teatro Nacional de São Carlos
Encenação: Nuno Carinhas
Direcção musical: António Vassalo Lourenço
Elenco: Angélica Neto, José Corvelo, João Rodrigues, Armando Possante, Rui Baeta, Luis Lucas, Coro Infantil da Escola de Música do Conservatório Nacional, Coro do Teatro Nacional de São Carlos, Orquestra Sinfónica Portuguesa e Alunos da Escola de Dança do Conservatório Nacional