Libretista: Paulo Tunhas
Data: 2006
Língua: Inglês
Duração: 32 minutos
Pequeno formato
Soprano
Tenor
Barítono
A obra explora os contornos tumultuosos de um triângulo amoroso, centrado nas personagens Vera, Dave e Chuck. Em vez de uma narrativa linear, a história é fragmentada e reinterpretada através de três mediums artísticos.
A primeira parte, em vídeo (composição de Iris ter Schiphorst), funciona como uma sequência onírica ou alucinatória. Pode ser entendida como o sonho ou pesadelo de uma personagem que revive, de forma distorcida e abstracta, uma experiência profunda de mudança e deslocamento. Os elementos visuais aqui estabelecidos só serão plenamente compreendidos em retrospectiva.
A segunda parte, dança, com secção musical Frédèric Durieux é descrita pelo encenador como uma «fantasia». Através do movimento de três bailarinos, os conflitos emocionais e as dinâmicas do triângulo amoroso são traduzidos em coreografia, explorando o ciúme e o desejo de forma mais física e simbólica do que narrativa.
A última parte, a ópera propriamente dita pela pena de António Pinho Vargas, o texto de Paulo Tunhas é entregue às vozes de três cantores (soprano, tenor e barítono). É nesta secção que o drama emocional atinge o seu clímax, com a declaração de sentimentos e o confronto direto entre amor, ódio e ciúme, fechando o ciclo desta «pequena loucura» primaveril.¹
Fl | Ob | Cl (Bcl) | Fg | Tpt | Hn | Tbn | 2 Perc | Pf | Hp | Vln | Vla | Vc | Cb
A obra distingue-se pela sua estrutura colaborativa e multidisciplinar, reunindo três compositores – Frédèric Durieux (dança), António Pinho Vargas (ópera) e Iris ter Schiphorst (vídeo) – a partir de um libreto original do poeta e filósofo portuense Paulo Tunhas.
Sob a encenação, cenografia e coreografia do italiano Giuseppe Frigeni, a história de um triângulo amoroso é desconstruída e recontada através de três mediums sequenciais: primeiro em vídeo, depois em dança e, por fim, em ópera. Frigeni transformou a Sala Suggia numa paisagem bucólica com três níveis de palco, relvado artificial e carvalhos naturais, criando um «espaço aberto» que dialoga com o grande janelão da sala. O encenador descreve a narrativa como um «poliedro», onde a mesma história é projetada através de diferentes prismas – como um sonho ou pesadelo alucinatório no vídeo, uma fantasia na dança, e uma narrativa mais concreta na ópera, inspirando-se nos universos oníricos de David Lynch. O título, retirado de um poema de Emily Dickinson, reflete esta ambiguidade entre abstração e compreensão. António Pinho Vargas sublinha que o espectáculo começa de forma abstracta, «num afastamento do texto», aproximando-se progressivamente da clareza narrativa apenas na parte operática final, onde os sentimentos de amor, ódio e ciúme se tornam explícitos.
Data: 2006
Local: Casa da Música, Porto
Encomenda: Casa da Música
Encenação: Giuseppe Frigeni
Direcção musical: Franck Ollu
Elenco: Eduarda Melo, Matthew Beale, Ivan Ludlow, Teresa da Silva, Daniel Cardoso, Romulus Neagu e Remix Ensemble
1. Natália Faria, «Pequenas loucuras de Primavera na rentrée da Casa da Música», Público, 14 de Setembro de 2006, https://www.publico.pt/2006/09/14/jornal/pequenas-loucuras-de-primavera–na-rentree-da-casa-da-musica-97551