A morte de Luís II da Baviera

2010

Descrição

Compositor:

Libretista: João Botelho
Libreto adaptado do Livro do Desassossego de Bernardo Soares (heterónimo de Fernando Pessoa)
Ópera em 1 acto
Data: 2010
Língua: Português
Duração: 13 minutos
Pequeno formato

Personagens

Soprano
Mezzo-soprano
Coro

Instrumentação

2 Hn | Timp | Vln | Vla | Vc | Cb

Sobre a Obra

Em Dezembro de 2009 fui contactado por João Botelho e Alexandre Oliveira, o produtor do Filme do Desassossego, no sentido de escrever uma ópera baseada no texto de Bernardo Soares, Marcha Fúnebre para o Rei Luís Segundo, com libreto do próprio João. O nosso encontro deu-se no final de uma tarde fria de nevoeiro, algures em Lisboa. Quando vislumbrei os vultos do João e do Alexandre, envoltos numa bruma iniciática, pressenti que tínhamos obra. O João trazia o libreto debaixo do braço e o seu cabelo branco flamejante, oscilando aos quatro ventos, era o arauto de uma obra anunciada.  Enquanto me explicava o projecto fumava cigarros pensativos. Levava-me o grande avanço dos jovens apaixonados. Partia do pressuposto de que eu já estava inteirado de seus conceitos. A sua exaltação era contagiosa. Eu dizia-lhe «calma, mais devagar», espere e ele falava-me de Morte, de Providência, de coros de pajens, de atimbales, metais e arcos; e eu dizia-lhe «calma, calma, mais devagar», mas ele falava-me de filmagens ao ar livre, de planos, de jogos de luz e sombra caravaggianos, de travellings sobre a orquestra e sobre a cena da morte; e eu dizia-lhe «calma, mais devagar! Mas…ao ar livre? Tem a certeza?, e ele falava-me de uma encenação em pleno bosque de Sintra; e eu dizia-lhe calma, mais devagar!, Ao ar livre? O quê? Em Sintra? Tem a certeza? Mas… e então… os elementos? O frio? A chuva? O nevoeiro?…» e ele dizia-me «Sim, sim!… Conhece outro local mais apropriado para a cena da morte de Luís II? Conhece?» E leu-me: 

Senhor Rei, Pastor das vigílias,
Cavaleiro andante das Angústias,
Sem glória e sem dama
Ao luar das estradas,
Senhor nas florestas,
Nas escarpas,
Perfil mudo de viseira caída  

Assim conspirámos o projecto, envoltos em tabaco e nevoeiro. Aos poucos o texto de Bernardo Soares foi-se insinuando como a púrpura e o oiro bizantinos de Klimt: 

Contempla da janela do meu castelo
Não o luar e o mar
Que são coisas belas e por isso imperfeitas;
Mas a noite vasta e materna,
O esplendor indiviso do abismo profundo.

Passados uns dias começou-me o texto a doer. Assim nasceu a obra.  E lá estávamos nós, em Março de 2010, a filmar, em pleno bosque de Sintra, na mítica Peninha, inundada de um sol picardo e refulgente que furava as folhagens em mil matizes.

Estreia

Data: 2010
Local: Serra de Sintra, Peninha
Direcção musical: Vasco Azevedo
Elenco: Angélica Neto, Elsa Cortez, Coro Ricercare e Sinfonietta de Lisboa

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