Libretista: Carlos Marecos
Libreto sobre fragmentos do Ensaio sobre a Cegueira de José Saramago
Ópera curta
Data: 2022
Língua: Português
Duração: 30 minutos
Pequeno formato
Mulher do Médico: soprano
Sax S | Acc | 2 Vln | Vla| Vc
branco, branco, branco, é uma ópera curta de natureza pós-operática, sem narrativa linear, construída a partir de 15 cenas concebidas como fragmentos de momentos do Ensaio sobre a Cegueira de José Saramago. Cada cena nasce de uma frase do romance, tomada como momento de suspensão ou foco de sentido, mais do que como elemento narrativo. Estas frases funcionam como matéria poética e simbólica da criação, e mais do que tratarem a temática da cegueira, interrogam-nos sobre a condição humana e sobre aquilo de que somos capazes em situações extremas.
A obra organiza-se em quinze andamentos breves, sem desenvolvimento temático, apresentados como miniaturas sonoras e visuais: instantes suspensos que espelham ideias-chave do universo de Saramago. Parte-se do pressuposto de que o público conhece genericamente a obra de Saramago e é capaz de reconstituir o todo a partir dos fragmentos que a nossa ópera lhes propõe.
Saramago afirmou que queria que o leitor sofresse tanto quanto ele sofreu ao escrever o livro. Neste sentido, a peça é por vezes amarga, e nasce também desse sofrimento, movendo-se entre um certo lirismo e a angústia, a aflição, o medo, a dor, a morte, a violência, a tristeza pela vida interrompida por algo que não se pode controlar e a consciência do que somos capazes de fazer para sobreviver. Ao mesmo tempo, branco, branco, branco, afirma a possibilidade de encontrar a beleza no meio do caos e, nos momentos de superação, a esperança de encontrar a felicidade.
Data: 2022, versão cénica em 2024
Local: Escola Superior de Música de Lisboa
Encomenda: Síntese – Grupo de Música Contemporânea
Encenação: Carlos Marecos/Sofia Silva
Direcção musical: Carlos Marecos
Elenco: Laura Alves e ClusterLab M da Escola Superior de Música de Lisboa