Caminho ao Céu

2003

Descrição

Compositor:

Libretista: Carlos Marecos
Libreto sobre poema de Teresa Duarte Martinho
Ópera curta
Data: 2003
Língua: Português
Duração: 20 minutos
Pequeno formato

Personagens

Cristo: soprano
Mãe de Cristo: mezzo-soprano

Instrumentação

Fl | Cl | Ob | Fg | Hn | Tpt | Tbn | Perc | 2 Vln | Vla | Vc | Cb
Editora: Centro de Informação & Informação da Música Portuguesa

Sobre a Obra

Esta peça não é uma obra religiosa, mas uma obra sobre a religião. Interroga a visão popular dos ritos e dos símbolos religiosos, tal como se manifesta em festividades que frequentemente cruzam a liturgia católica com lendas de aparições. Parte de uma via-sacra popular e de diversas melodias tradicionais que, parafraseadas, contribuem para a construção da estrutura musical.

Cenicamente quisemos que resultasse num improvável Auto da Paixão, uma ópera curta de natureza pós-operática, inspirada nas vias-sacras populares existentes em Portugal, mais concretamente nas diferentes «estações da via-sacra» de Sanfins do Douro, no percurso ascendente desde a vila até ao monte onde se situa o santuário da Senhora da Piedade. Contudo, a narrativa não segue uma abordagem linear das várias estações da Via-Sacra.

As melodias populares ajudam a construir a estrutura musical ao nível dos seus alicerces e não ao nível da percepção imediata. A música é simples, directa, «magra», despojada de harmonias muito complexas, em consonância com a natureza do seu ponto de partida temático. A peça organiza-se em 8 andamentos, nos quais se integram 13 solos instrumentais. Cada andamento, assim como cada solo, tem como base uma frase do poema.

A dramaturgia constrói-se a partir dessas frases, sem obedecer a uma progressão linear pelas estações da Via-Sacra. O fio condutor é, em todos os andamentos, apenas instrumental e realizado pelo tutti, a ação das personagens é frequentemente representada sem canto; as intérpretes surgem sobretudo na conclusão dos andamentos, reforçando as ações nesse momento e operando a transição para os solos instrumentais. 

Este improvável Auto da Paixão assume uma natureza abstrata, afastando-se da narrativa tradicional, afirmando-se como um espaço de criação de mundos e estados simbólicos.

Estreia

Data: 2003
Local: Culturgest – Fundação Caixa Geral de Depósitos
Encomenda: Culturgest – Fundação Caixa Geral de Depósitos
Encenação: Paulo Lages
Direcção musical: Cesário Costa
Elenco: Margarida Marecos, Maria Repas Gonçalves e OrchestrUtopica