Mariana Alcoforado

2017

Descrição

Compositor:

Libretista: Helena Nóbrega
Data: 2017
Língua: Português
Duração: 90 minutos

Formato:
Ópera de grande formato

Personagens

Mariana Alcoforado (jovem de 11 anos)
Irmã Mariana Alcoforado (adulta): Soprano
Soror Mariana (idosa): Soprano
Francisco Alcoforado (pai de Mariana): Tenor
Madre Superiora: Mezzo-soprano
2 Cantadores do cante alentejano

Instrumentação

2 S | Mz | T + Coro + 2 Cante Alentejano + Ob | Cl (Bcl) | Perc | Pf | 2 Vln | Vla | Vc | Cb

Sobre a Obra

Mariana Alcoforado é conhecida como a freira que escreveu – ou não¹ – uma série de cartas ao tenente francês Chamilly – que se tornaram famosas em toda a Europa ainda em sua vida e sem que ela o soubesse – depois de com ele ter vivido uma relação amorosa – ou não* – enquanto freira no Convento de Nossa Senhora da Conceição, em Beja. Viviam-se os conturbados anos da restauração da independência de Portugal, em que a região do Alentejo foi particularmente protagonista, pois aí se disputaram importantes batalhas para além de todo o tipo de resoluções e conjuras… A causa portuguesa tinha apoio militar de diferentes reinos – também com problemas territoriais e sucessórios, e em lutas com Castela. Não é, pois, de estranhar que homens estrangeiros se encontrassem no Alentejo e que os conventos não fossem locais apenas de viver a fé, mas também locais onde famílias nobres e ricas colocavam as suas filhas.

Esta ópera é uma representação dramática cantada dos amores reais ou fictícios da freira portuguesa e do oficial francês. Mariana Alcoforado é uma jovem mulher, freira, presa às circunstâncias do seu tempo, mas capaz de transgredir as regras conventuais (obediência, clausura e castidade).

O amor surge como resposta a uma consciência de situação oprimida. A deceção e desespero que se seguem ao seu abandono e esquecimento – traduzidos de maneira tão exasperada, comovente e excessiva nas Cartas Portuguesas – são acontecimentos pessoais muito penosos. Mariana não dispõe de recursos para modificar o decorrer da sua vida – isso sim – o mais dramático neste libreto. Mariana acaba por descobrir no convento outras formas de amar.

Mariana Alcoforado (1640-1723) terá entrado no Convento de Nossa Senhora da Conceição, em Beja, aos 11 anos, e terá professado aos 16. E aí faleceu aos 83 anos.

Estreia

Data: 2017
Local: Convento dos Capuchos, Almada
Encomenda: Musicamera Produções
Encenação: Aldara Bizarro e F. Pedro Oliveira
Direcção musical: Brian MacKay
Elenco: Maria João Augusto, Natasa Sibalic e Telma Valente de Almeida

Partituras & Mais Informações

Referências

  1. Obra anónima, as Cartas Portuguesas, supostamente traduzidas no século XVII em Paris a partir de originais portugueses – desde sempre desconhecidos –, só muito mais tarde atribuídas por alguns à freira de Beja, tornaram-se uma obra de referência da literatura francesa, e um caso singular e dos mais curiosos na história literária pelas dúvidas que levanta a sua autoria. Esta obra traduzida será objeto de apropriação para a autoria portuguesa – bem como a figura simbólica de Mariana Alcoforado – revelando-se como um desígnio patriótico do chamado «século do nacionalismo português», particularmente visível no Estado Novo, necessário à afirmação e à identidade nacional, revestindo-se de um carácter ideológico que serve os interesses da nação.