Libretista: Edward Ayres d’Abreu
Data: 2017-18
Língua: Português
Duração: 75 minutos
Pequeno formato
Beatrice: soprano
Deolinda: soprano
Dinato: soprano
Duquesa: soprano
Brünnhilde: soprano
Dulce: tenor
Bispo: tenor
Berzebu: tenor
Barão: tenor
Dâmaso: tenor
Ninguém: coro (sopranos e tenores)
Todo-o-Mundo: coro (altos e baixos)
O que nos dizem os forasteiros que visitavam o Porto e outras cidades portuguesas no tempo de Gil Vicente, há séculos atrás? Qual a sua relação com a urbe e a respectiva população? O que os surpreendia, o que os decepcionava? Que proximidades e que diferenças se podem associar à nossa realidade actual? Que virtudes e que problemas daí decorrem?
Ninguém & Todo-o-Mundo é uma ópera que se divide em quatro quadros, estruturados como se se tratasse de um percurso de ida-e-volta entre a nossa contemporaneidade e o século XVI, lembrando figuras, episódios e ideias em torno da história e da literatura da viagem e do turismo nos séculos que medeiam os dois extremos. Olhar satírico, crítico, divertido e reflexivo, este percurso gizado sobre uma constante e complexa dualidade (o nacional versus o estrangeiro) juntará em palco dois solistas principais, um tenor e uma soprano, que se metamorfosearão em diversos papéis: Beatrice (uma mochileira italiana), Barão (um empresário falido), Berzebu (o Diabo principal), Bispo (um clérigo patusco), Brünnhilde (uma investidora alemã), Dulce (uma jovem desempregada), Duquesa (uma falida viúva), Dinato (o secretário do Diabo), Deolinda (uma moradora de rua) e Dâmaso (um agente imobiliário).
Entre o segundo e o terceiro quadros, a meio da ópera – isto é, no destino espácio-temporal mais recuado e longínquo e, ao mesmo tempo, mais universal –, um interlúdio desloca a exegese para um lugar infernal onde o diabo Berzebu e o seu secretário Dinato são confrontados com Ninguém & Todo-o-Mundo (representados simultaneamente pelo coro e pelo público do espectáculo), recuperando-se aqui o célebre quarteto moralizante que Gil Vicente concebeu para um dos momentos da Farsa da Lusitânia. A farsa, que somos todos nós e que não é ninguém, recontextualiza-se aqui num elogio bem-humorado e intemporal à viagem em sentido lato.
Cl | Synth | Acc | Vc | PT Gtr | Electr
Ninguém & Todo-o-Mundo é uma ópera de câmara a partir de textos de Gil Vicente e de literatura de viagem do século XVI até à nossa contemporaneidade, numa divertida reflexão sobre as virtudes e os problemas do fenómeno turístico dos dias de hoje.
O compositor Daniel Moreira e o libretista Edward Luiz Ayres d’Abreu projectaram esta ópera para um grupo de dois cantores, seis instrumentistas e um coro escolar de dezasseis vozes. A inclusão de instrumentos comummente associados a outros géneros musicais, como o acordeão ou a guitarra portuguesa, a par do clarinete, do violoncelo e do piano, favorecem e potenciam um imaginário sonoro diversificado e permeável a tradições musicais não eruditas, possibilitando um diálogo tímbrico enriquecedor que uma componente electrónica vem ampliar ainda mais profundamente. A colaboração de um coro escolar reforça as mais-valias da transmissão e do cruzar de experiências entre músicos profissionais e músicos em formação.
Data: 2018
Local: Teatro Helena Sá e Costa, Porto
Encomenda: Programa Criatório (Câmara Municipal do Porto)
Encenação: António Durães
Direcção musical: Jan Wierzba
Elenco: Teresa Nunes e João Terleira