Oráculos & Ladainhas

2021

Descrição

Compositor:

Libretista: Tiago Schwäbl
Data: 2021
Língua: Português
Duração: 30 minutos
Pequeno formato

Personagens

Soprano
Barítono

Sinopse

Nada vejo, nada escuto. Seguimos em procissão os passos de carpideiras e pitonisas — um passo, dois passos, três para! — ao encontro de silhuetas antigas e vozes futuras. As pedras falam! Aguardemos os passos em volta. Nada vejo, nada escuto…

Vamos ao encontro de quê, de quem, quem nos aguarda, aguardou…? Acompanhamos um cortejo no qual aguardar e procurar se confundem, em campanha ora arqueológica, ora mística, mas sempre nostálgica de vários tempos distantes entre si. Não existe certeza do sucesso do encontro, não se marcou hora nem dia de festa. E, a acontecer, quem diz que os veremos ou escutaremos…

Mas não rumamos sozinhos, nem completamente ao acaso. O público será guiado e (des)encaminhado por dois elementos que desesperam nos seus próprios pensamentos. Cada personagem divide-se em duas vozes: do lado daqueles que procuram, alternam-se dois registos – uma guia e uma carpideira. Dos que esperam os visitantes do futuro, a comunicação balança entre a voz do oráculo e a do pítio.

Não saberemos onde nem quando terminam ou começam as viagens, nem o que sondamos, nem se encontraremos o que não sabemos que buscamos. Juntamo-nos às procissões, na expetativa de ir ao encontro das coisas, sem saber quem espera ou quem por lá passou.

No FIO, cada ópera foi construída para um espaço específico. E este lugar é magnífico, como se lê na melodia gregoriana «Terribilis est locus iste», que é a base de composição do motete Nuper Rosarum Flores de Guillaume Dufay, composto em 1436 especificamente para a consagração da Catedral de Santa Maria das Flores em Florença. A influência da música renascentista apresenta-se em Oráculos & Ladainhas pela citação da linha melódica do motete e na especialização ao estilo policoral veneziano – cori spezzati -, que no Salão Nobre encontrarão paredes onde ecoar.

 

Prelúdio

A carpideira chora aqueles que não voltaram.

 

Acto I: «Procissão e Despique»

Inicia a procissão.

Uns partem em busca dos que desapareceram. Outros aguardam, na expetativa dos que hão de surgir. Os primeiros desesperam por encontrar, liderados por um corpo de duas vozes que se desdobra em guia ou carpideira. Os segundos duvidam na espera, em diálogo entre a voz presciente do Oráculo e o entusiasmo quase infantil do sacerdote pelos entes do futuro.

O despique é percebível somente para o público, que assiste fortuitamente ao acaso da dupla procissão. Nenhuma das personagens se dá conta do outro grupo.

São desconhecidos uns dos outros.

 

Acto II: «Encontro e Espera»

Chegam a um sítio onde todos aguardam. Mas nada escutam, nada veem. Uns talvez escutem, mas não veem. Outros julgam ver, mas nada escutam. Aguardam em conjunto que algo aconteça.

 

Acto III: «Separação e Troca»

Aqueles que procuram ficam a aguardar. Os que aguardam passam a procurar.

Instrumentação

Fl | Hn | Perc | Hp | Vln | Vc

Estreia

Data: 2021
Local: Salão Medieval da Reitoria da Universidade do Minho, Braga
Encomenda: Festival Informal de Ópera
Encenação: António Torres
Direcção musical: Jan Wierzba
Elenco: Nataliya Stepanska, Tiago Matos e Sinfonietta de Braga