Libretista: Sam Holcroft
Libreto baseado no conto Casa Tomada de J. Cortázar
Ópera de câmara em 3 actos
Data: 2013
Língua: Inglês
Duração: 55 minutos
Pequeno formato
Irmão (Hector): barítono
Irmã (Rosa): mezzo-soprano
Uma casa de campo antiga e espaçosa, Argentina, início da década de 1940.
As divisões maiores e mais antigas da ala traseira estão separadas dos quartos mais pequenos dos aposentos do IRMÃO e da IRMÃ na ala frontal por uma grande porta de carvalho. Começamos na sala de jantar na parte mais antiga e maior da casa. Está equipada com uma lareira, um grande relógio de parede ou de pêndulo, uma estante alta cheia de livros, algumas plantas de interior e uma grande mesa de jantar antiga com cadeiras. Na parede pende um retrato de família. Cortinas pesadas estão fechadas nas janelas; a sala é iluminada por uma lâmpada.
Uma porta bate violentamente.
Acto I
Uma moradia grande em Buenos Aires, Argentina, década de 1940. Hector e Rosa – irmão e irmã – tomam o pequeno-almoço na sala de jantar da sua casa de família. Ao toque das nove horas, começam a sua rotina diária de limpeza, defendendo a sua herança contra o assalto da poeira e da sujidade. Ao meio-dia em ponto, param para almoçar. Vários dias depois: terminados os trabalhos domésticos matinais, Rosa passa a tarde a descansar no sofá, a tricotar. Enquanto tricota, canta uma canção de embalar. Hector chega, à procura das suas luvas. Mas quando abre uma gaveta, descobre um esconderijo de xailes lindamente decorados, tricotados por Rosa. Ele sai, sem ter conseguido reunir a coragem para perguntar à sua irmã, que não tem filhos, porque é que tricotou tantos xailes. Quando ele se vai embora, Rosa canta novamente a canção de embalar da sua juventude.
Alguns dias depois: Hector lê para a irmã um romance. Enquanto está sozinho na cozinha a preparar chá, Hector subitamente apercebe-se de que há algo errado com a casa. Simultaneamente, Rosa experimenta a mesma sensação inquietante. Em pânico cego, Hector bate com força a porta que separa uma ala da casa da outra. Ele ensaia a explicação que dará à irmã, antes de regressar à sala para servir o chá. Mas Rosa insta Hector a aceitar o facto de que parte da casa foi ocupada: terão de viver deste lado da porta.
Acto II
Na manhã seguinte: Hector e Rosa tentam agarrar-se aos seus antigos rituais: tomar o pequeno-almoço na parte mais pequena da sua casa de família, limpar os seus bens restantes. Mas com menos objetos para limpar, terminam rapidamente e são forçados a almoçar às dez e meia.
Dois dias depois: Rosa passa o tempo a tricotar enquanto Hector lhe lê manuais, os únicos livros que restam do seu lado da casa. Para quebrar o tédio, Rosa sugere que ele vasculhe as fotografias antigas do pai. À medida que as tensões aumentam, Hector começa a provocar Rosa acerca de Lucho, seu antigo pretendente. Rosa exige que o irmão lhe traga mais lã; mas quando Hector se recusa a sair de casa, ela desfaz os seus amados xailes. Mais tarde, nessa noite, Rosa tem um pesadelo vívido no qual se imagina como o papagaio empalhado que a família guardava na casa. Acorda assustada.
No dia seguinte: Rosa e Hector tomam o pequeno-almoço juntos, as tensões na sua relação agora dolorosamente aparentes. Mas quando começam a discutir sobre a memória dos pais, param subitamente, assustados. Instintivamente, abrigam-se no vestíbulo e fecham a porta de ferro forjado para a casa, concordando que a casa foi agora completamente ocupada. Rosa sente que deviam sair, mas Hector insiste que devem ficar.
Acto III
Minutos depois: Hector tenta recriar a rotina matinal num esforço para convencer a irmã de que a vida na casa ainda é sustentável. Rosa começa a participar, mas a sua determinação vacila. Tendo inicialmente tentado apaziguar a irmã, Hector concede que a vida deles nesta casa acabou e que devem abandonar a casa ancestral. O Irmão e a Irmã dão os primeiros passos para uma nova vida.
Fl | 2 Cl | 2 Tpt | Tbn | Perc | 2 Vln | 2 Vla | Vc | Cb
Editora: Editions Alphonse Leduc (Wise Music Classical)
Encomendada pelo Festival d’art lyrique d’Aix-en-Provence e estreada em 2013, The House Taken Over é uma ópera de câmara do compositor Vasco Mendonça com libreto da dramaturga Sam Holcroft.
O libreto baseia-se no conto Casa tomada, publicado pela primeira vez em 1946 na revista Anales de Buenos Aires, editada por Jorge Luis Borges. Conta a história de um irmão e uma irmã que partilham uma casa de família da qual raramente saem. Os seus hábitos assumem a aparência de rituais, mas quando começam a ser ouvidos ruídos numa das divisões da vasta residência, eles selam-na. O seu espaço vital encolhe à medida que as suas vidas se encolhem, até ao ponto de os forçar a abandonar a «casa ocupada».¹
Data: 2013
Local: Théâtre du Grand Saint-Jean, Festival d’Aix-en-Provence
Encomenda: Festival d’art lyrique d’Aix-en-Provence
Encenação: Katie Mitchell
Direcção musical: Etienne Siebens
Elenco: Oliver Dunn, Kitty Whately e Asko|Schoenberg Ensemble