António Luiz Miró

1815
-
1853
Compositor

Biografia

António Luís Miró foi um compositor e pianista de origem espanhola, nascido em Granada a 25 de Julho de 1815, que desenvolveu a maior parte da sua carreira em Portugal. Ainda na infância mudou-se para Lisboa com o pai, Joaquim Miró, também músico. Na capital portuguesa estudou com Domingos Bomtempo e com o frei José Marques, afirmando-se inicialmente como pianista de grande mérito. Contudo, foi sobretudo como compositor e director musical de teatro que alcançou notoriedade¹

Em 1826, Miró fez a sua inscrição na irmandade de Santa Cecília e iniciou uma carreira artística, começando por se associar ao Teatro do Salitre. Aí deu o seu primeiro recital de piano e compôs a música das peças que naquele palco se apresentavam.  Quando o Conde de Farrobo reabriu o seu Teatro das Laranjeiras, em 1834, o compositor foi contratado como mestre-ensaiador e teve, nesse mesmo ano, a sua primeira experiência à frente de uma produção operática – a Testa di bronzo, de Saverio Mercadante. Foi também neste contexto que se aventurou na composição de música dramática, com Il Sonnambulo, apresentada nas Laranjeiras a 10 de fevereiro de 1835 e pouco depois no Teatro Nacional de São Carlos²

Já nessa altura era Miró segundo maestro do São Carlos – aí ficou até 1843, tendo regressado ainda para o período entre 1845 e 1846. Apresentou a sua segunda ópera, Atar ossia il serraglio di Ormuz, a 21 de outubro de 1836, mas não conseguiu agradar o público³. De resto, compôs outras obras dramáticas apresentadas nos principais palcos lisboetas, como o S. Carlos, o Teatro da Rua dos Condes e o Teatro D. Maria, recorrendo frequentemente a libretos italianos, nomeadamente de Felice Romani. Em 1844, teria começado a escrever uma nova ópera com o título O cativo de Fez. Embora não se conheçam esboços da obra, Luísa Cymbron sugere que: 

Devia tratar-se de uma nova ópera sobre o desastre de Alcácer Quibir, por influência do Don Sébastien que Donizetti dedicara à rainha D. Maria II e cuja estreia em 1843 teve algum impacto nos meios musicais lisboetas, ou do drama homónimo de Silva Abranches, premiado em 1839, uma das fontes nas quais Garrett se inspirou para o Frei Luís de Sousa⁵.

No final da década de 1840, já fora do São Carlos, Miró quis associar-se ao projeto do Teatro do Ginásio, onde se ouviam óperas cómicas em língua portuguesa. A sua primeira abordagem ao novo género deu origem à ópera A Marqueza, apresentada, com grande sucesso, a 4 de Outubro de 1848. Após esta experiência seguiram-se O Conselho das Dez, ainda em 1848, e A Velhice namorada sempre leva surriada, em fevereiro de 1849. Esta última obra foi alvo de especiais elogios, por se tratar de uma composição de autores e assuntos nacionais

A transição para a década seguinte marcou um novo começou na carreira de Miró – terminou a sua colaboração com o Teatro do Ginásio e seguiu para o Maranhão, no Brasil, onde se tornou professor de piano e director então Teatro São Luiz e responsável pela temporada de 1852. Contudo, esta nova fase da sua carreira não tardaria a acabar. Em Maio de 1853, o compositor faleceu em Pernambuco, antes de conseguir regressar a Portugal

 

Óperas

O cativo de Fez (não concluída) 

A Velhice Namorada (1849)

O Conselho das Dez (1848)

2 S | 2 T | Bar + Coro + Fl | Cl | 2 Hn | Tpt | Tbn | Perc | Vln | Vla | Vc | Cb
Ver Ópera

A Marquesa (1848)

Os Infantes em Ceuta (1844)

Virginia (1840)

Atar ossia il serraglio di Ormuz (1836)

Il Sonnambulo (1835)

Referências

  1. Ernesto Vieira, Diccionario Biographico de Musicos Portuguezes: Historia e Bibliographia da Música em Portugal. II Volume (Lisboa: Lambertini, 1900), 90. 
  2. Vieira, Diccionario Biographico de Musicos Portuguezes, 91. 
  3. Vieira, Diccionario Biographico de Musicos Portuguezes, 91-2.
  4. Luísa Cymbron, «Entre o modelo italiano e o drama romântico – os compositores portugueses de meados do século XIX e a ópera,» Revista Portuguesa de Musicologia, no. 10 (2000): 123.
  5. Cymbron, «Entre o modelo italiano e o drama romântico,» 127.
  6. Vieira, Diccionario Biographico de Musicos Portuguezes, 93. 
  7. Isabel Gonçalves, «A introdução e a recepção da ópera cómica nos teatros públicos de Lisboa entre 1841 e 1851,» Revista Portuguesa de Musicologia, no. 13 (2003): 104. 
  8. Daniel Lemos Cerqueira, «Antonio Luiz Miró,» APEM – Acervo Digital, consultado a 12 de dezembro de 2025, http://apem.cultura.ma.gov.br/acervo/items/show/202
  9. Vieira, Diccionario Biographico de Musicos Portuguezes, 94.