Libretista: Paulo Midosi
Libreto baseado na poesia de José Maria da Silva Leal¹
Ópera cómica em 1 acto
Data: 1848
Língua: Português
Pequeno formato
Lucia: soprano
Raijmundo: tenor
Marini: barítono
Deifiori: tenor
Isabel: soprano
Coro
A ópera conta a história de um jovem português que seduz «todas as mulheres em Veneza, inclusive as dos conselheiros da República»².
Fl | Cl | 2 Hn | Tpt | Tbn | Perc | Vl | Vla | Vc | Cb³
Partitura: Biblioteca Nacional de Portugal
A obra O Conselho das Dez nasceu da colaboração entre o compositor Antonio Luiz Miró e o escritor dramático Paulo Midosi (1821-1888) e foi apresentada ao público do Teatro do Ginásio em dezembro de 1848, dois meses depois da dupla se ter estreado, nesse mesmo teatro, com A Marquesa. Acabado de sair do Teatro de São Carlos, onde cumprira funções de maestro, Miró quis juntar-se ao grupo de artistas que se reuniram nesse outro Teatro com a intenção de explorar a ópera cómica portuguesa. De acordo com Paula Magalhães, a crítica mais conservadora tremera com a «ousadia do teatro em querer cantar árias e duetos a escassos metros da catedral» do repertório lírico, No entanto, a aposta nos géneros de ópera cómica e farsa lírica permitiram que o Teatro do Ginásio se elevasse à «categoria de templo da diversão e do riso». Deste modo, apesar do ceticismo inicial, a imprensa respondeu positivamente às experiências de Miró e Midosi⁴.
Uma opinião publicada no jornal O Espectador compara as duas óperas desta dupla, escrevendo que, embora fosse «mais bonita e mais magistralmente escrita, talvez, que a sua antecessora», Conselho das Dez «não tem todavia a mesma popularidade, o mesmo cantabile, a mesma graça de motivos, a mesma fluência de melodia que tornaram a Marqueza tão agradável». O mesmo crítico, acrescentou, porém, que em ambas as obras «provou o sr. Miró que era capacíssimo e muito próprio para este género de composições. A sua instrumentação principalmente é admirável. Os efeitos de orquestra são obtidos com meia dúzia de instrumentos, cujo movimento nos ensembles não deixa por isso de parecer uma orquestra completa.»⁵
Data: 1848
Local: Teatro do Ginásio, Lisboa