Francisco Alves Rente nasceu a 7 de Setembro de 1851 no Porto e foi um prolífero compositor de opereta com particular destaque no meio musical da sua cidade natal. Recebeu as suas primeiras lições musicais do seu mestre José Cândido e com apenas 14 anos conquistou o lugar de primeiro violino no Teatro de São João¹.
Mais tarde, foi director do Teatro da Trindade e aí apresentou a sua primeira peça dramática – a ópera burlesca Schah em Pancas – a 21 de Junho de 1874. O sucesso desta obra voltou a repetir-se no ano seguinte, com a estreia da opereta O Diabrete, mas a destruição do edifício da Trindade levou-o a fixar-se no Teatro das Variedades, onde apresentou o seu maior êxito, a ópera cómica Verde Gaio, a 15 de Outubro de 1876².
Depois de, em 1878, assumir a direção de uma companhia de ópera cómica em Lisboa, tornou-se empresário do Teatro do Príncipe Real, no Porto e fez várias apresentações de récitas entre essa cidade e a capital, entre as quais se destacou A lenda do amor molhado, ópera cómica apresentada no Teatro da Avenida em 1888:
O exito d’esta operetta, esplendidamente cantada e representada pela companhia portuense, que trabalha na Avenida, tem augmentado de noite para noite. A musica de Alves Rente, é simplesmente encantadora! Bastariam as duas ou tres lindissimas valsas que Alves Rente escreveu para o “Amor Molhado” para fazerem a reputação de um compositor. Entre todas as suas partituras, pareceu-nos esta a melhor, a mais original, a que affirma por uma forma indiscutivel a espontaneidade, – a phantasia, – o gosto do fecundo meastrino³.
Francisco Alves Rente faleceu três anos após este sucesso, a 10 de Março de 1891, com apenas 39 anos⁴.