Francisco de Freitas Gazul

1842
-
1925
Compositor

Biografia

Francisco de Freitas Gazul nasceu em Lisboa, a 30 de Setembro de 1842, no seio de uma família com uma longa tradição musical – era neto de José Gazul, trompista na orquestra do Teatro de São Carlos, e filho de Francisco Gazul (1815–1868), professor de rudimentos no Conservatório Nacional e timbaleiro em várias instituições régias¹. O filho realizou a sua formação nessa mesma instituição, onde começou por estudar harmonia, contraponto e fuga com Eugénio Ricardo Monteiro d’Almeida e, a partir de 1856, recebeu aulas de violoncelo de João Jordani e, mais tarde, de Guilherme Cossoul. Em 1867 obteve o primeiro lugar num concurso para os cargos de segundo violoncelo na ópera e primeiro violoncelo no bailado da Orquestra do Teatro de São Carlos².

Gazul construiu uma longa carreira como maestro, tendo dirigido as orquestras do Teatro de São Carlos – como assistente de Guilherme Cossoul, em 1859 – do Teatro da Rua dos Condes e do Teatro da Trindade e a Banda de Música União e Capricho da Sociedade Filarmónica Alunos de Apolo³. Em 1875, exerceu funções de maestro-ensaiador no Teatro de São João, no Porto, onde dirigiu óperas como Linda de ChamonixGuilherme TellLa sonnambulaO Barbeiro de SevilhaUn ballo in mascheraOtello e La traviata

Como compositor, Freitas Gazul revelou uma produção vasta e diversificada, abrangendo música religiosa, ópera, opereta, mágicas, música para teatro, revistas e música de câmara. Foi com a ópera Frei Luís de Sousa, apresentada no Teatro de São Carlos em 1891, que alcançou maior reconhecimento público

Em paralelo à sua atividade como compositor e maestro, desenvolveu uma longa carreira pedagógica como professor de Rudimentos Musicais no Conservatório de Lisboa. Publicou um método de solfejo e um manual de rudimentos musicais, sendo o primeiro amplamente utilizado pelas bandas filarmónicas e conhecido como o «solfejo das bandas”. Entre os seus alunos destacou-se José Vianna da Motta. Existiu ainda em Lisboa uma sociedade filarmónica que ostentou o seu nome, testemunhando o prestígio de que gozou no meio musical português. Gazul faleceu a 20 de Outubro de 1925, em Lisboa.

Óperas

O harém d’el Rei (1897)

Fra Luigi di Souza (1891) 

2 S | 2 T | 2 Bar | B + Coro +  3 Fl | 2 Ob | 2 Cl | 2 Fg | 2 Tpt | 4 Hn | 3 Tbn | Tb | 2 Perc | 2 Hp | Vln | Vla | Vc | Cb
Ver Ópera

A cigarra, Lisboa (s.d.)

Referências

  1. Ernesto Vieira, Diccionario Biographico de Musicos Portuguezes: Historia e Bibliographia da Música em Portugal. I Volume (Lisboa: Lambertini, 1900), 459.
  2. «Francisco de Freitas Gazul (1842‑1925),» AVA Musical Editions – Compositores, consultado a 1 de fevereiro de 2026, https://editions‑ava.com/compositor/francisco‑de‑freitas‑gazul‑1842‑1925/
  3. Mónica Martins e Lina Santos, «Gazul, Francisco de Freitas,» in Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX, Volume 2 – C a L, coordenado por Salwa Castelo Branco (Temas e Debates, 2010), 562.
  4. «Francisco de Freitas Gazul (1842‑1925),»
  5. «Francisco de Freitas Gazul (1842‑1925),»
  6. «Francisco de Freitas Gazul (1842‑1925),»
  7. Martins e Santos, «Gazul, Francisco de Freitas,» 562.