Guilherme António Cossoul nasceu em Lisboa, a 22 de Abril de 1828, filho do violinista João Luís Olivier Cossoul e da pianista Virgínia Tomassu. Uma das figuras mais empenhadas na afirmação da música erudita em Portugal na segunda metade do século XIX, Cossoul iniciou a sua formação musical em idade precoce: começou por aprender piano e harpa com a sua mãe e violoncelo com o seu pai e mais tarde recebeu lições de harmonia com Santos Pinto¹.
A sua primeira apresentação pública ocorreu em 1840, antes de completar doze anos, no Teatro da Rua dos Condes. Em 1842, com apenas catorze anos, já dirigia a orquestra de amadores da Assembleia Filarmónica. O início efetivo da sua carreira profissional data de 1843, ano em que ingressou na Irmandade de Santa Cecília e passou a integrar a Orquestra de São Carlos como segundo violoncelo. Em 1848 foi promovido a maestro e no ano seguinte foi nomeado músico da Real Câmara².
A par da sua atividade como instrumentista e regente, Cossoul também se aventurou no campo da composição. A sua produção inclui cerca de 37 obras, com especial destaque para as óperas cómicas A Cisterna do Diabo (1850), O Arrieiro (1852) e O Visionário do Alentejo, bem como importantes obras sacras, entre as quais um Te Deum dedicado a D. Pedro V (1855) e uma Missa para a aclamação do mesmo monarca (1856)³. Em 1953, viajou para França e passou dois anos com a Orquestra da Ópera Nacional de Paris⁴.
A partir de 1861 foi professor de violoncelo e contrabaixo no Conservatório de Lisboa, assumindo em 1863 a direção da Escola de Música da instituição. O seu papel no desenvolvimento do Conservatório é amplamente elogiado por Ernesto Vieira:
N’esse estabelecimento prestou Guilherme Cossoul os mais relevantes serviços, com um zelo, actividade e inteligencia, que infelizmente não tem servido de exemplo. Foram seus discipulos de violoncello Eduardo Wagner, Cunha e Silva, Freitas Gazul e outros; no contrabaixo teve por discipulo Julio Soares, um contrabaixista de muito merecimento. Como director da escola mandou que todos os professores organisassem programmas de estudos para as suas aulas, que até ali não tinham ou não eram observados; redigiu elle mesmo, de acordo com Eugenio Masoni, o programma para o curso da aula de piano, programma muito superior a todos os que depois se teem feito e que não tinha outro inconveniente senão o de ser muito difícil⁵.
Empenhado na divulgação do grande repertório, organizou uma Sociedade de Concertos Populares no Casino Lisbonense, no Largo da Abegoaria, com os músicos saídos da Associação Musical 24 de Julho. A iniciativa, cujo primeiro concerto se deu a 17 de agosto de 1960, nesse mesmo casino, teve um importante impacto na formação tanto de músicos como dos públicos. A partir de 1864, assumiu a gerência do Teatro de São Carlos, em colaboração com Campos Valdez e Guilherme Lima. Embora tenha conseguido trazer várias obras de destaque àquele teatro, os últimos anos da vida de Cossoul são marcados pela doença – o maestro viu a sua atividade ser progressivamente limitada, até ao seu falecimento, em 26 de Novembro de 1880⁶.