José Augusto Ferreira Veiga

1838
-
1903
Compositor

Biografia

José Augusto Ferreira Veiga nasceu em Macau, a 22 de Novembro de 1838, filho de Joaquim José Ferreira Veiga, natural de Braga, e de Joanna Ulman da Veiga, de ascendência holandesa. Em 1855, matriculou-se no curso de Direito da Universidade de Coimbra e, ao longo dos seus estudos, estabeleceu já uma sólida reputação como músico e compositor. Ainda em Coimbra, viu a sua opereta A Questão do Oriente ser representada, em 1859, no Teatro Académico, que então funcionava sob a sua direcção¹.

Concluído o curso, iniciou-se na advocacia em Lisboa, ao mesmo tempo que se dedicava a novas composições e a apresentações como pianista. Entre as obras compostas neste período destacam-se o bailado fantástico Ginn, escrito em 1866 e recebido com entusiasmo na capital, e um Te Deum, de 1871. Dez anos mais tarde, o compositor regressou ao género operático com L’elisir di giovinezza, uma ópera-ballet com libreto do poeta francês Jean Jacques Magne, estreada no Teatro de São Carlos². Os relatos sobre a reação a esta ópera são contraditórios: algumas fontes afirmam que não conseguiu obter o favor do público³, enquanto outras relatam que:

[…] o Visconde do Arneiro teve essa consagração em Portugal, das mais brilhantes e das mais ruidosas, quando em 1876 apresentou no theatro de S. Carlos, a sua primeira grande opera, O Elixir da Mocidade, cantada por Vitali, Corsi, Rota e Vidal, com um sucesso notabilissimo⁴.

O certo é que, após uma nova apresentação da ópera em Itália, Ferreira Veiga optou por adaptar a sua música a um novo libreto, escrito por Rodolfo Paravicini com base num romance de Ann Radcliffe⁵. A obra reformulada recebeu o título Dina la derelitta e foi apresentada ao público do Teatro de São Carlos a 14 de Março de 1885, obtendo, por fim, uma recepção consensualmente positiva: «o sucesso foi completo e enorme»⁶. Ferreira Veiga compôs ainda outra ópera, Don Bibas, baseada no romance até então desconhecido O Bobo, de Alexandre Herculano, reveladora de uma certa tendência nacionalista comum a várias figuras do meio musical português da época⁷. Já em 1885, o periódico O Occidente chamava a atenção para a magnificência do drama que estaria por vir:

É uma composição grandiosa que esperamos para o anno ver em scena no nosso theatro, e de que já conhecemos trechos maravilhosos. A opera tem grandes despezas de mise-en-scene mas o paiz tem obrigação restricta de fazer essas despezas, para que essa opera, cujo o assumpto é puramente nacional enriqueça o reportorio do nosso theatro lyrico. O Visconde do Arneiro trabalha activamente n’essa obra que lhe será mais uma corôa de triumpho e que reproduzirá na musica uma das mais formosas obras primas da litteratura portugueza⁸.

Este último projeto operático do Visconde do Arneiro ficou, contudo, por estrear. Nessa altura, o compositor decidiu fixar-se em Itália e aí permaneceu até falecer, a 7 de Julho de 1903⁹.

Óperas

Dina la derelitta (1885)

L’elisir di giovinezza (1876)

Pela bocca morre o peixe (1860)

A questão do oriente (1859)

Don Bibas (s.d. inédita)

Referências

  1. G.L., «O Visconde do Arneiro,» O Occidente, no, 225, 21 de março de 1885, 67. Luísa Cymbron, «Veiga, José Augusto Ferreira, Visconde do Arneiro,» Grove Music Online, consultado a 8 de Dezembro de 2025.
  2. Cymbron, «Veiga, José Augusto Ferreira, Visconde do Arneiro.»
  3. G.L., «O Visconde do Arneiro,» 67.
  4. Cymbron, «Veiga, José Augusto Ferreira, Visconde do Arneiro.»
  5. Cymbron, «Veiga, José Augusto Ferreira, Visconde do Arneiro.»
  6. G.L., «O Visconde do Arneiro,» 67.
  7. Cymbron, «Veiga, José Augusto Ferreira, Visconde do Arneiro.»
  8. G.L., «O Visconde do Arneiro,» 67.
  9. «Veiga, José Augusto Ferreira, Visconde de Arneiro», Operone, consultado a 31 de Janeiro de 2026, https://operone.de/komponist/jose-augusto-ferreira-veiga/#sthash.wfB2npnC.dpuf