Pedro António Avondano nasceu em Lisboa a 14 de Abril de 1714, filho do genovês Pietro Giorgio Avondano, que se havia estabelecido em Lisboa e conquistado o lugar de primeiro violino da capela real durante o reinado de D. João V¹ . Não se conhecem pormenores da infância do compositor, mas calcula-se que tenha estudado violino com o seu pai, já que a prática era comum em famílias ligadas à música. Desconhecem-se outros professores ou fontes de aprendizagem, mas é possível supor que tenha desenvolvido a sua carreira musical no norte de Portugal e no estrangeiro, antes de se fixar em Lisboa².
Avondano terá entrado como violinista para a Orquestra da Real Câmara entre 1751 e 1756, por volta da altura do falecimento do seu pai, entre 1750 e 1752. Alguns anos mais tarde, em 1758, alugou uma residência espaçosa no Bairro de Santa Catarina, onde decidiu abrigar os encontros e festas da Assembleia da Nação Inglesa, um clube por si fundado, que se compunha de membros da comunidade britânica em Portugal e organizava encontros preenchidos por dança e música³. Algumas das obras que ali se ouviam eram da autoria do próprio compositor – os seus Minuetes de Lisboa (Lisbon Minuets), por exemplo, chegaram a ser publicados em Londres, graças aos contributos dos membros da Assembleia⁴. No mesmo ano, movido pela sua ambição empresarial, Avondano procurou parcerias com o empresário Pietro Setaro e depois com o arquiteto Giovanni Antinori, com o objetivo de montar um teatro. Deste plano, que acabaria por ser desenvolvido a solo, resultou a Ópera da Estrela, um teatro que viria a ter uma vida curta⁵.
Já na década de 1960, o compositor desempenhou um papel de relevo na reorganização da Irmandade de Santa Cecília. Em 1765, recebeu mais de uma centena de pessoas na sua casa para a celebração da assinatura do Compromisso da Irmandade da Gloriosa Virgem e Martyr Santa Cecília, documento no qual se estabeleciam os estatutos e regras necessários à reforma da Instituição⁶. O mesmo espaço passou, igualmente, a receber uma nova e alargada versão do clube de Avondano, cujo nome se alterou para Assembleia das Nações Estrangeiras. Por volta da mesma altura, o músico adquiriu o título de Cavaleiro da Ordem de Cristo. Ao longo dos seus últimos anos de atividade, Avondano parece ter abdicado de tocar nas várias festas religiosas que permeavam aquela época, para se dedicar à composição musical, à participação na orquestra real e à sua atividade empresarial. O compositor acabaria por falecer em 1782.
Avondano é várias vezes identificado como «o mais importante compositor de música instrumental em Portugal na segunda metade do século XVIII», tendo produzido uma grande quantidade de música para tecla, música de câmara e também música orquestral⁷.
Entre a produção musical vocal de Avondano, destacam-se seis oratórias, três delas apresentadas em Hamburgo, e pelo menos duas – Il voto di Jefte (1771) e Adamo e Eva (1772) – ouvidas em Portugal. Uma ária de uma outra das suas oratórias – Betulia liberata – sobreviveu, curiosamente, numa cópia de Jean-Jacques Rousseau⁸. Além de algumas serenatas, cantatas e algumas obras sacras, escreveu pelo menos 3 óperas, mas apenas sobrevive a música de uma: Il mondo della luna, com libreto de Carlo Goldoni, apresentada no Teatro de Salvaterra no Carnaval de 1765 com «excelente aceitação»⁹. De acordo com o inventário do compositor, as suas duas outras óperas seriam Dido e Zenobia¹⁰.
3 S | 2 T | 2 B + Coro + Fl | Ob | Fg | Hn | Tpt | Vln | Vla | Vc | Cb | Cemb
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