O tenor Carlos Guilherme (1945-) é natural de Maputo/Lourenço Marques, cidade onde iniciou os seus estudos musicais e a sua carreira de cantor, inicialmente no âmbito de um repertório de cariz ligeiro e popular, nomeadamente em colaboração com a rádio moçambicana. Esteve depois na Rodésia, onde estudou canto com Greta Muir e se estreou com a companhia de ópera de Salisbury, desempenhando o papel de Riccardo em Un ballo in maschera, de Verdi. Estabeleceu-se entretanto em Portugal, estudando canto com John Labarge no Conservatório Regional do Algarve (1979-1980) e apresentando-se em público, em vários locais do país, em eventos organizados por essa escola.¹
Em Portugal, estreou-se como cantor de ópera em 1981, no Cine-Teatro Lido, na Amadora, na parte de Mr. Pierre em A vingança da cigana, e logo depois no Teatro Nacional de São Carlos, na parte de Malcolm em Macbeth, de Verdi. Manteve-se como cantor residente deste teatro até 1992, assumindo inúmeros papéis principais. Aprofundou também a sua formação em cursos de aperfeiçoamento proporcionados por esta instituição, nomeadamente sob a orientação de Gino Becchi, Ettore Campogalliano, Claude Thiolass, Marimí del Pozo e Regina Resnik. Colaborou igualmente com regularidade com o Círculo Portuense de Óperea, apresentando-se ainda em vários pontos da Europa, nos EUA, no Brasil, em Israel e na China.²
Ao longo da sua carreira operática interpretou 37 papéis principais em mais de 50 óperas, tendo sido distinguido em 1984 com o Troféu Nova Gente (para artistas líricos) e em 1985 com o Prémio Tomás Alcaide.Para além disso, a sua actividade passou também pelo campo da música ligeira, inclusivamente com a obtenção de um Disco de Ouro (pelo fonograma Canções de amor), o que lhe granjeou uma certa visibilidade junto de um público alargado.³