O tenor Tomaz Alcaide (1901-1967), natural de Estremoz, estudou canto em Lisboa com Alberto Sarti, Francisco de Sousa Coutinho e Eugenia Mantelli, estreando-se no Club Estefânia e no Teatro Nacional de São Carlos nos primeiros meses de 1924, ao que se seguiram apresentações noutros espaços da capital1. A 19 de Abril de 1925 partiu para Milão, onde aprofundou a sua formação com Fernando Ferrara, e a sua estreia italiana teria lugar logo a 5 de Dezembro desse ano, na Mignon de Ambroise Thomas, no Teatro Carcano de Milão, com excelente recepção da parte do público e da crítica, o que impulsionou o lançamento da sua carreira internacional logo a partir do ano seguinte, com os contratos que se sucederam não só em Itália, mas também na Suíça, na Holanda e nos EUA2.
Na temporada de 1929-1930, a carreira de Alcaide entrava no seu auge, com o acesso a espaços de referência no circuito italiano, como o Teatro Reale dell’Opera de Roma, o Teatro alla Scala de Milão e o Teatro Massimo de Palermo, sem, no entanto, deixar de continuar a apresentar-se em Portugal. A partir da temporada seguinte passou também pela Ópera finlandesa de Helsinque, pelo Teatro del Liceo de Barcelona, pela Opéra de Paris, pelo Festival de Salzburgo e pela Ópera Estatal de Viena, entre outros, sobretudo no sul e no norte de França, assim como na Bélgica. Refira-se ainda, em 1930 e 1934, as gravações de árias operáticas que realizou para a Columbia Gramophone Company, ao que se seguiu um conjunto de seis canções portuguesas em 19363.
O despoletar da II Guerra Mundial bloqueou a continuidade da sua carreira na Europa, com a anulação dos contratos, e assim Alcaide partiu na Primavera de 1940 em digressão pela América do Sul, actuando em diversos teatros brasileiros e no Teatro Colón de Buenos Aires, mas acabaria por regressar a Lisboa em 19424. Entre 1943 e 1945, foi obrigado a interromper a carreira devido a problemas de saúde, e após a recuperação já não conseguiu obter o mesmo êxito, apresentando-se pela última vez como cantor de ópera no Brasil no início de 1948. Empregou-se em seguida como assistente de programas na Emissora Nacional, enquanto continuou a actuar pontualmente em teatros portugueses em récitas de opereta até se retirar definitivamente em 19555. Em 1962, passou também a desempenhar as funções de professor de canto e encenador no âmbito da nova Companhia Portuguesa de Ópera, sedeada no Teatro da Trindade, as quais manteve até à sua morte em 19676.