Amore e Perdizione

1907

Descrição

Compositor:

Libretista: Francisco Braga
Libreto baseado no romance Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco
Drama lírico em 3 actos
Data: 1907
Língua: Português
Grande formato

Personagens

Thadeu d’Arbuquerque: barítono
Teresa: soprano
Baltdassare Coutinho: tenor
Margherita: soprano
Simone Botelho: tenor
Marianna da Cruz: mezzo-soprano
Abbadessa del Monastero di Monchique in Oporto: soprano
Una Monaca del Monastero di Vizeu: soprano

Sinopse

A acção passa-se em Portugal no século XIX, entre Viseu, nos dois primeiros actos, e o Porto, no último. Este drama passional, ao estilo romântico, narra, à semelhança de Romeu e Julieta, a saga de dois apaixonados cujas famílias, os Albuquerque e os Botelho, se opõem ao seu amor. Simão, um dos cinco filhos de Domingos Botelho, jovem de temperamento explosivo, apaixona-se por Teresa Albuquerque, sua vizinha. Descoberto o namoro proibido, Domingos envia Simão para Coimbra, deixando Teresa com duas opções: casar com o primo Baltasar ou ingressar na vida religiosa.

Durante algum tempo, os jovens resistem à separação trocando correspondência, com a ajuda de Mariana, filha do ferreiro João da Cruz, que acaba por se apaixonar por Simão, embora saiba que esse amor jamais poderá ser correspondido. Depois de ameaças e atentados, Teresa rejeita o casamento e é enviada para o Convento de Monchique, no Porto. Simão decide raptá-la, mata Baltasar e entrega-se à polícia. João da Cruz tenta ajudá-lo a fugir, mas ele recusa. Enquanto Simão vai para a cadeia, Teresa permanece no convento e Mariana mantém-se ao lado de Simão, apoiando-o sempre que possível.

Condenado à forca, Simão tem a pena comutada e é deportado para a Índia. Ao ver o amor partir, Teresa morre de desgosto. Durante a viagem, Mariana mostra a Simão a última carta de Teresa. Ao perceber a morte da amada, Simão adoece e morre. Na manhã seguinte, seu corpo é lançado ao mar, e Mariana, incapaz de suportar a perda, atira-se ao mar, suicidando-se abraçada a Simão¹.

Instrumentação

4 S | Mz | 2 T | Bar + Coro + 2 Fl (Picc) 2 Ob (C ing) | 2 Cl (Bcl) | 2 Fg | 4 Hn | 3 Tpt | 3 Tbn | Tb | 3 Perc | 2 Hp | Vln | Vla | Vc | Cb²
Editora: B. Schott’s Söhne, Mainz

Sobre a Obra

A ópera Amore e Perdizione escrita sobre um libreto de Francisco Braga, por sua vez baseado no conhecido romance de Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição, é considerada a obra mais relevante de João Arroyo. Foi estreada no Teatro de São Carlos a 2 de Março de 1907 e repetiu-se nas duas temporadas seguintes, antes de seguir para Hamburgo, onde, em 1910, foi recebida com enorme entusiasmo. Vários anos mais tarde, em 1948, regressou ao São Carlos3

Sobre a decisão de Arroyo de pôr em música este clássico da literatura portuguesa, Bernardo Moreira de Sá escreveu:

Enamorava-o o ardente desejo de pôr em música um drama de paixão, de ardente amor fatal, onde coubessem a sua fogosa inspiração, o brilho incomparável da forma que o torna um colorista primacial. […] A imperiosa força de comunicabilidade que domina todas as manifestações do seu talento […] de longe o vinha incitando à feitura de um drama lírico, que gemido na orquestra, vivido na cena,, sugestionando ao público, lhe consagrasse enfim no aplauso das multidões as multiformes aptidões do talento de músico dramaturgo. Para isso nada melhor que o amor de Perdição. O romance de Camilo, tão genialmente sentido, impregnado como é de dolorosa paixão, atraía-o, fascinava-o.

Após a estreia da ópera, foram vários os críticos que se renderam à partitura de Arroyo. N’A Arte Musical de Março de 1907, Esteves Lisboa, descreveu as «calorosas ovações feitas ao conselheiro João Arroyo», os «brindes que lhe foram oferecidos» e um elevado «número de chamadas ao proscénio». O autor soube antecipar o sucesso que aguardava a ópera na Alemanha, escrevendo que Amore e Perdizione revelava um génio musical com aptidões necessárias para abrir «as portas dos teatros líricos estrangeiros, onde o talento é sempre apreciado».

Estreia

Data: 1907
Local: Teatro de São Carlos, Lisboa
Direcção musical: Luigi Mancinelli
Elenco: Russitano, Fazzini, Bonini, Gagliardi, Torreta, Leonardi, Loonardi,  Molayoli e Orquestra do Teatro de São Carlos

Partituras & Mais Informações

Partituras: Portal da Ópera Portuguesa*

Referências

  1. «Ópera “Amor de Perdição” – 100 anos depois…,» Casa das Artes e Teatro Narciso Ferreira, acedido a 20 Janeiro, 2026, https://casadasartes.blogspot.com/2008/11/pera-amor-de-perdio-100-anos-depois.html.
  2. João Arroio, Liebe und verderben [Música Impressa] : Lyrisches drama in 3 akten nach der portugiesischen novelle C.C. Branco’s Amore e Perdizione: Dramma Lirico in 3 Atti tolto dalla novella portoghese di C.C. Branco “Amor de Perdição (Mainz : B. Schott’s Söhne, cop. 1909). Catálogo da Biblioteca Nacional de Portugal, EMUS6 762;  Francsico Bernardo Braga, Amore e Perdizione [Libreto] : Dramma Lirico in 3 Atti (Lisboa: Real Theatro de S. Carlos, 1907). Catálogo da Biblioteca Nacional de Portugal, Coleção Ivo Cruz, C.I.C. 13 V. Libreto disponível em Internet Archive. João Arroio, Liebe und verderben [Música Impressa] : Lyrisches drama in 3 akten nach der portugiesischen novelle C.C. Branco’s (Mainz: Schott, 1909). Catálogo da Biblioteca Nacional de Portugal, Coleção Ivo Cruz, C.IC. 1 A. (partitura vocal).
  3. Manuel Ivo Cruz, O essencial sobre a Ópera em Portugal (Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 2008), 55.
  4. Bernardo Valentim Moreira de Sá, «Um Grande Acontecimento Artístico». A ópera do Sº Conselheiro João Arroyo Amor de Perdição cantada pela 1ª vez no Real Theatro de S. Carlos na noite de 2 de Março de 1907,” Ilustração portuguesa, no. 58, 1 de abril de 1907.
  5.  Esteves Lisboa, «Amôr de perdição,» A Arte Musical, no. 197, 6 de Março de 1907, 59-61.

Galeria