As Variedades de Proteu

1737

Descrição

Compositor:

Libretista: António José da Silva
Data: 1737
Língua: Português
Duração: 143 minutos
Pequeno formato

Personagens

Proteu: Soprano
Dórida: Soprano
Maresia: Soprano
Cirene: Mezzo-soprano
Nereu: Tenor
Políbio: Tenor
Caranguejo: Barítono
Rei Ponto: Baixo

Sinopse

Políbio envolve-se numa revolta política no Egito e é forçado a fugir para salvar a própria vida. Leva consigo a sua única filha, Cirene, mas, temendo pela sua segurança, decide deixá-la temporariamente numa aldeia da Beócia. Chegado à cidade de Flegra, Políbio é bem recebido pelo rei Ponto, que o encarrega de regressar à Beócia para conduzir a sua filha, também chamada Cirene, destinada a casar com Nereu, filho do rei. Ao saber que a princesa morreu, Políbio tenta mudar o destino da sua própria filha e leva-a para Flegra, fingindo que ela é a filha do rei da Beócia.

Entretanto, chega Dórida, princesa de Egnido, prometida ao outro filho de Ponto, Proteu,  mas este apaixona-se perdidamente por Cirene e tenta conquistá-la. Políbio esforça-se por deter o pretendente e, em resposta, Proteu tenta matá-lo, mas Cirene intervém e acaba ferida. Políbio é injustamente acusado e condenado, o que obriga Cirene a revelar a sua verdadeira identidade. Descoberto o engano, Nereu rejeita Cirene, que é acolhida por Proteu, e decide casar com Dórida. Trocados os amores, os dois casais alcançam um final feliz.

Instrumentação

2 Ob | 2 Hn | Vln | Vla | Vc | Cb | Cemb

Sobre a Obra

As Variedades de Proteu, com libreto de António José da Silva, “O Judeu”, e música de António Teixeira, foi estreada em maio de 1737 no Teatro do Bairro Alto, o único palco lisboeta onde então se cantava em português.

Em conjunto com Guerras do alecrim e manjerona, ocupa um lugar singular no panorama musical português da primeira metade do século XVIII. Destaca-se não só pelo uso da língua portuguesa, numa época em que o italiano dominava o meio operático nacional, mas também pelo recurso a marionetas ou bonifrates, mantendo atores e cantores ocultos no espaço cénico. Os recitativos assumem a forma de diálogos falados, sem o habitual acompanhamento de baixo contínuo, aproximando estas obras de géneros como o singspiel alemão, a opéra-comique francesa e a opereta.

No século XX, esta ópera foi resgatada de mais de duzentos anos de esquecimento e devolvida ao público moderno, graças ao trabalho de identificação e reconstrução das partituras realizado por Filipe de Sousa. A estreia moderna deu-se no Teatro Nacional de São Carlos, em 1972.1

O seu renascimento no século XXI consolidou-se a partir de 2005, ano em que uma produção do festival Cistermúsica (em co-produção com a S.A. Marionetas) assinalou os 300 anos do nascimento de «O Judeu». Desta montagem, com direção musical de Stephen Bull, resultou a primeira gravação, editada em CD em 2008.

Em 2007, foi apresentada em versão de concerto no ciclo de Música Antiga da Fundação Calouste Gulbenkian pelo grupo francês Les Caractères, numa tradução para francês.

Estreia

Data: 1737
Local: Teatro do Bairro Alto, Lisboa

Partituras & Mais Informações

Referências

1. Manuel Ivo Cruz, O Essencial sobre a Ópera em Portugal (Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2008), 19-20.