António Teixeira

1707
-
depois de 1770
Compositor

Biografia

Nasceu em Lisboa, a 14 de maio de 1707, filho de Manuel Teixeira e de Vicência da Silva. Com cerca de nove anos, tornou-se o primeiro aspirante a músico enviado para Roma por ordem do rei D. João V, com o objetivo de aprender a arte do contraponto. Nos anos seguintes, seguir-lhe-iam Joaquim do Vale Mexelim, João Rodrigues Esteves e Francisco António de Almeida1. A sua permanência em Itália granjeou-lhe reconhecimento como compositor e cravista e, ao regressar a Portugal, a 11 de junho de 1728, foi eleito Capelão-Cantor da Sé Patriarcal e examinador dos ordinandos em cantochão do Patriarcado de Lisboa2.

Na década de 1730, compôs várias cantatas festivas para membros da aristocracia, entre as quais Gli Sposi Fortunati, apresentada na casa de Antónia Joaquina de Menezes de Lavra no Carnaval de 1732, e um Componimento drammatico, concebido para celebrar o casamento do Marquês de Cascais no Carnaval de 1738. Paralelamente a estas encomendas, dedicou-se intensamente à música sacra e, em 1734, escreveu uma das suas obras mais celebradas: um hino Te Deum a vinte vozes, apresentado na igreja de São Roque, a 31 de dezembro3.

Ainda na década de 1730, António Teixeira iniciou uma colaboração operática com o dramaturgo António José da Silva, «o Judeu», nascido no Brasil em 1705 e executado num auto-de-fé da Inquisição em 1739. Deste encontro artístico resultaram, pelo menos, duas óperas: Guerras do Alecrim e Manjerona e As Variedades de Proteu, ambas apresentadas no Teatro do Bairro Alto em 1737. É, contudo, provável que o compositor tenha sido também responsável pela música de outras seis óperas com textos de António José da Silva: Vida do Grande D. Quixote de la Mancha e do Gordo Sancho Pança (1733), Esopaida ou Vida de Esopo (1734), Os Encantos de Medeia (1735), Anfitrião ou Júpiter e Alcmena (1736), O Labirinto de Creta (1736) e Precipício de Faetonte (1738)4.

Embora a data do seu falecimento permaneça desconhecida, a Lista de Alguns Músicos Portugueses, do Cardeal Saraiva, indica que o compositor ainda estaria vivo em 17595. Admite-se, além disso, que se trate do mesmo António Teixeira que ingressou na Irmandade de Santa Cecília a 28 de novembro de 1765 e que é autor de várias obras sacras conservadas no arquivo da Sé de Lisboa, uma das quais datada de 17706.

Filipa Cruz

Óperas

Precipício de Faetonte (1738)

(atribuída a Teixeira, mas sem confirmação)

Guerras do Alecrim e Manjerona (1737)

2 S | Mz | 2 T | 2 B | 2 Actors + Ob | Hn | Cemb | Vln | Vla | Vc | Cb
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As Variedades de Proteu (1737)

3 S | Mz | 2 T | Bar | B + 2 Ob | 2 Hn | Cemb | Vln | Vla | Vc | Cb
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Anfitrião ou Júpiter e Alcmena (1736)

(atribuída a Teixeira, mas sem confirmação)

O Labirinto de Creta (1736)

(atribuída a Teixeira, mas sem confirmação)

Os Encantos de Medeia (1735)

(atribuída a Teixeira, mas sem confirmação)

Esopaida ou Vida de Esopo (1734)

(atribuída a Teixeira, mas sem confirmação)

Vida do Grande D. Quixote de la Mancha e do Gordo Sancho Pança (1733)

(atribuída a Teixeira, mas sem confirmação)

Referências

1. Manuel Carlos de Brito, Opera in Portugal in the Eighteenth Century (Cambridge University Press, 1989), 6.
2. Ernesto Vieira, Diccionario Biographico de Musicos Portuguezes: Historia e Bibliographia da Música em Portugal. II Volume (Lisboa: Lambertini, 1900), 347.
3. Manuel Carlos de Brito, «Teixeira, António,» Grove Music Online, consultado em 23 de dezembro de 2025.
4. Manuel Ivo Cruz, O Essencial sobre a Ópera em Portugal (Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2008), 15-16.
5. Cruz, O Essencial sobre a Ópera em Portugal, 17.
6. Brito, «Teixeira, António.»