Beatrice di Portogallo

1863

Descrição

Libretista: Carlos Reinaldo Montoro
Libreto baseado no drama Um Auto de Gil Vicente de Almeida Garrett
Drama lírico em quatro actos
Data: 1863
Língua: Italiano (tradução de Luigi Bianchi)
Grande formato

Personagens

Beatriz: soprano
Vasco: barítono
Bernardim Ribeiro: tenor
D. Manuel: baixo
D. Claudio de Vallaison: baixo
Branca: soprano
Coro

Sinopse

«A acção passa-se na corte portuguesa em 1521, no reinado de D. Manuel I, durante os festejos de casamento da infanta D. Beatriz com o Duque de Sabóia e, portanto, na iminência da partida da princesa para a sua nova pátria. O poeta Bernardim Ribeiro, enamorado da princesa, é encarregado pelo rei de a convencer a aceitar o seu dever enquanto Beatriz se rebela interiormente contra a ideia de partir. No seu primeiro encontro com Cláudio, o embaixador de Sabóia, Beatriz diz que se casa contra a sua vontade, provocando assim a ira do representante do esposo. Bernardim, que tinha escutado a conversa escondido, intervém de rompante em defesa da princesa.

Os dois homens estão a ponto de lutar quando Beatriz os detém declarando rejeitar o amor de Bernardim e prometendo cumprir o seu dever. De seguida Bernardim, desesperado, decide matar-se, quando, de novo, surge Beatriz que afirma estar pronta a morrer com ele. A chegada de Vasco, amigo e confidente de Bernardim, consegue fazê-la desistir de tal propósito. Beatriz está agora prestes a partir quando Vasco consegue aproximar-se dela trazendo consigo Bernardim vestido de peregrino. A descoberta da verdadeira identidade do peregrino dá origem a uma nova cena de amor. Depois das despedidas, ouve-se um rumor que anuncia a chegada do rei. Em desespero, e para não comprometer a reputação da infanta, Bernardim atira-se ao Tejo no momento em que a comitiva de D. Manuel entra nos aposentos. Beatriz cai desmaiada.»¹ 

Instrumentação

Orquestra

Partitura: Biblioteca da Ajuda

Sobre a Obra

Beatrice di Portogallo é a primeira ópera de Francisco de Sá Noronha e um marco importante na afirmação da ópera portuguesa oitocentista. Com libreto de Carlos Reinaldo Montoro, por sua vez inspirado na peça Um Auto de Gil Vicente, de Almeida Garrett, a obra começou a ser composta do outro lado do Atlântico, no Brasil, com a intenção de ser oferecida a D. Pedro V. No entanto, entre a composição da obra e a sua apresentação ao público passaram-se mais de três anos. Depois de sucessivos adiamentos e recusas do Teatro de São Carlos – e apesar de anúncios, ensaios e até da divulgação de excertos da obra em concerto –  a ópera seguiu de Lisboa para o Porto e foi estreada a 4 de março de 1863, no Teatro de São João. Tendo falecido D. Pedro em 1861, a obra acaba por ser dedicada ao seu sucessor, D. Luís, que concedeu uma audiência ao compositor e mostrou um maior interesse na concretização do projeto²

A obra teve cinco récitas e foi, em geral, bem recebida, mas suscitou debate crítico quanto à necessidade de uma ópera verdadeiramente nacional, ou até regional, inspirada em modelos de música de popular. Luísa Cymbron reporta que uma crónica de Ramalho Ortigão criticava a 

«escolha do modelo italiano – no qual um compositor novato ficava sempre à mercê das comparações com outros, ‘de robustíssimo pulso’ – e perguntava:  ‘Não poderia o autor da Beatriz de Portugal isentar-se deste confronto criando uma ópera nacional, escrevendo música portuguesa?’ Mais ainda, pedia a Noronha que se inspirasse na música popular ou folclórica, ‘sobretudo no nosso Minho’ onde, em sua opinião, abundava ‘música do género […] totalmente desaproveitada pelos entendidos, e é essa música sem dúvida alguma, a que melhor define o nosso carácter, e a que importava portanto estudar para escrever a ópera portuguesa’³

Estreia

Data: 1863
Local: Teatro de São João, Porto
Elenco: Francesco Marinozzi, Giovannina Stella, Pietro Bignardi, Francesco Tagliapietra, Lodovico Butti e Ermelinda da Silva⁴

Partituras & Mais Informações

Referências

  1. Luísa Cymbron, Francisco de Sá Noronha 1820-1881: Um músico português no espaço Atlântico (Húmus/CESEM, 2019), 225-226.
  2. Cymbron, Francisco de Sá Noronha 1820-1881, 260-61.
  3. Cymbron, Francisco de Sá Noronha 1820-1881, 262-63.
  4. Reinaldo Carlos Montoro e Luigi Bianchi, Beatriz de Portugal: drama lyrico em 4 actos: offerecido a S. M. El-Rei o Senhor D. Luiz 1.o / por Francisco de Sá Noronha (Porto: Typ. De Manoel José Ferreira, 1862);  Francisco de Sá Noronha, Beatriz de Portugal / Drama Lyrico em Quatro Actos / Poesia de Reinaldo C. Montoro. Musica de … / Dezembro de 1859 [Partitura para canto e piano]. Consultar Mariana Amélia Machado Santos (ed.), Biblioteca da Ajuda. Catálogo de Música Manuscrita, 9 vols (Lisboa: Biblioteca da Ajuda, 1958-1968), 54-XII-50.