Francisco de Sá Noronha

1820
-
1881
Compositor

Biografia

Francisco de Sá Noronha nasceu em Viana do Castelo a 24 de Fevereiro de 1820 e destacou-se como o primeiro compositor português a escrever óperas baseadas em obras literárias de autores nacionais¹. Originalmente destinado a uma carreira eclesiástica, o compositor e violinista cedo demonstrou possuir uma inclinação para a música e recebeu as suas primeiras lições de um mestre espanhol chamado Bruno. Porém, a sua formação musical foi sobretudo autodidata². Em 1837, no seguimento da morte dos seus pais, com apenas 17 anos, Sá Noronha emigrou para o Brasil  – aí desenvolveu uma carreira como violinista que o levaria a realizar digressões pela América do Sul e apresentações em Nova Iorque e  Filadélfia, entre 1946 e 1947, Inglaterra, em 1854, e Portugal³

Chegado a Lisboa, na década de 50, estabeleceu-se como diretor musical do Teatro da Rua dos Condes e experimentou compor algumas obras dramáticas, como óperas cómicas, operetas e vaudevilles, para o público português, sem, contudo, gerar muito entusiasmo. Da Rua dos Condes, deslocou a sua atividade para o Teatro do Ginásio e daí para o Teatro de São João, no Porto, onde conseguiu convencer os seus ouvintes na qualidade de violinista. Sá Noronha voltou ao Rio de Janeiro em 1856 e, desse lado do Atlântico, iniciou a composição da ópera Beatrice di Portogallo, com um libreto escrito por outro português emigrado no Brasil, Reinaldo Carlos Montoro, e baseado numa obra de Almeida Garrett. Com esta iniciativa, a dupla quis pôr em «marcha de forma consistente um projecto de criação de uma ópera nacional»⁵.

De regresso a Lisboa, a partir da década de 60, Sá Noronha trocou o violino pela composição e lutou para que as suas óperas em língua portuguesa fossem apresentadas   nos principais teatros do país. Ultrapassados vários obstáculos, a já referida Beatrice di Portogallo foi estreada no Teatro de São João em 1863. O seu segundo drama lírico, L’arco di Sant’Anna, de novo baseado numa obra de Garrett, subiu ao mesmo palco em 1867. A sua terceira e última ópera italiana, intitulada Tagir, utilizou um libreto extraído do romance A Virgem de Guaraciaba do brasileiro Pinheiro Chagas. Esta obra foi apresentada a 25 de Março de 1876, mas não conseguiu alcançar o sucesso estrondoso das suas antecessoras. Desiludido com a reação fugaz do público, Noronha optou por regressar à América e fixar-se de novo no Rio de Janeiro, onde obteve reconhecimento com novas óperas cómicas e operetas e onde acabaria por falecer a 23 de Janeiro de 1881.

Óperas

As virgens (1880)

Os noivos (1880)

Tagir (1876)

O anel de Prata (1875)

Os Boémios (1875)

O fagulha (1869)

L’arco di Sant’Anna (1867)

S | Mz | T | 2 Bar | 2 B + Coro + Orquestra
Ver Ópera

Beatrice di Portogallo (1863)

2 S | T | Bar | 2 B + Coro + Orquestra
Ver Ópera

O Triunfo de Trajano (1843) 

As guardas do rei de Sião (s.d.)

Os mosqueteiros da Rainha (s.d.)

Se eu fosse rei (s.d.)

A Princeza dos Cajueiros (s.d.)

Esmeralda (s.d.)

A familia Moreley (s.d.)

O Califa da rua do Sabão  (s.d.)

Referências

  1. Luísa Cymbron, « Noronha, Francisco da Sá,» Grove Music Online, consultado a 8 de dezembro de 2025. 
  2. Ernesto Vieira, Diccionario Biographico de Musicos Portuguezes: Historia e Bibliographia da Música em Portugal. II Volume (Lisboa: Lambertini, 1900), 127.
  3. Cymbron, «Noronha, Francisco da Sá.»
  4. Vieira, Diccionario Biographico de Musicos Portuguezes, 129. 
  5. Luísa Cymbron, «A importância de ser do Norte: o Teatro de S. João e os compositores portugueses do Liberalismo,» in O velho Teatro de S. João (1798-1908): Teatro e Música no Porto do longo século XIX, coordenado por Luísa Cymbron e Ana Isabel Vasconcelos (Porto: Edições Afrontamento/CESEM 2020),  348.
  6. Luísa Cymbron, «Noronha, Francisco de Sá (opera)» Grove Music Online, consultado a 15 de dezembro de 2025. 
  7. Cymbron, «A importância de ser do Norte,» 351.
  8. Vieira, Diccionario Biographico de Musicos Portuguezes, 131.