Libretista: Frederico de Freitas
Libreto a partir de D. João e a Máscara de António Patrício
Cena musical em 2 actos
Data: 1960
Língua: Português
Duração: 24 minutos
Grande formato
A Criatura: soprano
O Narrador: tenor
João: barítono
Coro feminino
A peça de António Patrício Dom João e a Máscara (1924) baseia-se na célebre farsa de Tirso de Molina sobre Don Juan, o burlador de Sevilha. Nesta recriação simbolista, Dom João confronta-se com a presença constante da Morte, que ama e procura. Nas palavras do autor, da introdução da primeira edição da peça:
O sentido da morte é o instinto de viver feito consciência: sem ele, não há vida interior. Vive-se sem morrer: morre-se sem morrer: no fundo é o mesmo. Vem tarde, quando vem, porque nada há mais raro que viver. Começa nesse instante a minha fábula, quando D. João e a Morte pela primeira vez vão encontrar-se. No primeiro acto, depois dum baile de máscaras no Outono, a Morte, para D. João, é uma maja trágica, Goyesca; respira-a a cada instante como a Bem-Amada omnipresente, a Beatriz única de Antero; no último quadro enfim, como para o Pobre de Assis, é Soror Morte. Assim tentei fixar, reduzindo ao mínimo a anedota, o que há de essencial no seu destino.¹
Orquestra
Partitura: Biblioteca da Universidade de Aveiro
Cena musical em dois actos, baseada na peça de António Patrício, D. João e a Máscara, que revisita o mito de Don Juan. De entre o vasto repertório composto por Frederico de Freitas, o género dramático é bastante representativo. O compositor escreveu operetas, revistas, bailados e óperas, para além de música de cena para diversos espectáculos de teatro. A ópera, porém, ocupa um espaço residual no catálogo de composições de Freitas, tendo sido cultivada em momentos diferentes e espaçados entre si. D. João e as Sombras pertence ao último período da vida do compositor e sucede a Luz-Dor, estreada em 1924, A Igreja do mar, ópera radiofónica estreada em versão concerto em 1960, e O Eremita, composta em 1959 e inédita. Freitas voltaria a trabalhar na ópera vários anos depois da sua composição, tendo projectado acrescentar dois novos actos em 1978, mas que não chegou a concluir².
A ópera foi estreada a 13 de Novembro de 1971, no Teatro Tivoli (Lisboa), com a Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional sob a direcção do próprio compositor, como era hábito, o Coro Feminino Harmonia e os solistas Elsa Saque, Fernando Serafim e Álvaro Malta. O depoimento de Álvaro Malta recolhido para o livro dedicado a Frederico de Freitas, lançado aquando da exposição comemorativa do seu aniversário, no Museu Nacional da Música, recorda o entusiasmo com que o baixo interpretou esta obra e a forma como a personagem de Don Juan foi concebida³.
No concerto de estreia de D. João e as Sombras, também foram interpretadas a Sinfonia n.º 6 de Beethoven e a abertura Tannhäuser, de Wagner. A gravação da récita de estreia, captada pela Emissora Nacional⁴.
Data: 1971
Estreia: Teatro Tivoli, Lisboa
Direcção musical: Frederico de Freitas
Elenco: Elsa Saque, Fernando Serafim, Álvaro Malta, Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional e Grupo Vocal Feminino Harmonia