Frederico de Freitas dividiu a sua carreira entre a composição, a direcção de orquestra e o ensino, tendo estado envolvido em vários empreendimentos culturais significativos do século XX português e criado uma obra musical extensa e variada¹.
Iniciou os estudos musicais com a mãe e, entre 1915 e 1925 frequentou os cursos de composição, piano, violino e ciências musicais do Conservatório Nacional². A sua estreia como compositor viria a ocorrer enquanto estudante, num concerto organizado pelo próprio no Salão Nobre do Conservatório Nacional, em 1924. As obras que então apresentou mostram já um pouco do perfil do compositor e as influências literárias e musicais que o marcaram. Motivado por Luís de Freitas Branco, aprofundou estudos musicais no estrangeiro³. Obteve uma bolsa do Estado e instalou-se em Paris, onde estudou com Florent Schmidt, tendo regressado a Portugal em 1926⁴. Iniciou, então, uma carreira bastante produtiva como autor de música de bailado e de canções para espectáculos de revista, opereta e teatro musical, alguns dos quais em colaboração com o bailarino Francis Graça. Beneficiando do desenvolvimento da rádio e das indústrias fonográfica e cinematográfica, emergentes nos anos 1930, em Portugal, muitas das suas obras tornaram-se verdadeiros sucessos comerciais⁵. Foi, igualmente, o autor da música do primeiro filme sonoro português, A Severa, de Leitão de Barros (1931). A composição de música ligeira e de música erudita coexistiram e no seu catálogo de obras juntam-se obras para orquestra sinfónica, música de câmara, bailados, peças para teatro musical, hinos e harmonizações, obras corais, ópera, entre outras⁶. Foi apontado director de orquestra da companhia Bailados Portugueses Verde Gaio, criada em 1940, e para a qual escreveu os bailados O Muro do derrete, A Dança da menina tonta, Imagens da terra e do mar e Nazaré. Como maestro, dirigiu a Orquestra Portuguesa e a Orquestra da Câmara da Emissora Nacional; foi segundo maestro titular da Orquestra Sinfónica Nacional, tendo sido nomeado primeiro maestro titular em 1963⁷. Participou em comemorações festivas e espectáculos de carácter histórico integrados nos programas culturais e nacionalistas do SPN/SNI⁸. Também foi convidado a dirigir orquestras estrangeiras e participou em conferências, concertos e intercâmbios culturais na Europa e América⁹.
Paralelamente, foi professor de canto coral no Liceu Nacional de Camões e no Liceu Gil Vicente e professor de composição no Instituto Gregoriano de Lisboa. Realizou diversas conferências ao longo da vida e colaborou com diversos órgãos de imprensa como cronista e crítico musical, nomeadamente com os jornais Novidades e O Comércio do Porto e as revistas Ritmo (de Madrid) e Panorama¹⁰.
O seu espólio encontra-se depositado na Universidade de Aveiro.
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