Dona Mécia

1901

Descrição

Compositor:

Libretista: Júlio Dantas
Novela lírica do século XIII
Data: 1901
Língua: Italiano
Grande formato

Formato:
Novela lírica do século XIII

Personagens

Mécia: soprano
Fróile: mezzo-soprano
D. Álvaro Pires de Castro: barítono
Picandon: tenor
D. Lopo Dias de Haro: baixo
Coro

Sinopse

«No primeiro acto – no salão do castelo da Biscaia – a donzela D. Mécia anseia pelo trovador-cavaleiro que viu uma vez em sonho. O trovador espanhol Picandon, canta uma Trova, esperando conquistar as graças de Mécia. Ela mostra-se entediada e irritada com Picandon. Entra então Álvaro Pires de Castro, declarando-se trovador e português. Também ele canta a sua Trova. O Senhor da Biscaia, D. Lopo, entra e interroga Pires de Castro sobre os motivos da sua visita. Álvaro responde que foi enviado pelo amor – o seu amor por Mécia. A tensão aumenta, o Senhor da Biscaia recusa os amantes e ameaça Álvaro. Mécia desmaia. Álvaro aproxima-se de Mécia, toma-a nos braços e parte, entre protestos gerais.

No segundo acto, no acampamento militar português, antes do amanhecer, Mécia e Álvaro estão juntos após o rapto simulado e cantam um dueto de amor. Aproximam-se os sons dos exércitos da Biscaia. Álvaro ordena que o inimigo seja saudado e canta um hino de vitória. Picandon é enviado como mensageiro da Biscaia – D. Lopo exige o regresso da filha. Picandon canta comoventemente sobre o velho pai, só e sem esperança. Perante a recusa, Picandon avisa da guerra, aconselhando Álvaro a levantar espessas muralhas de pedra e terra, ao que Álvaro responde com a sua célebre frase: que apenas levantaria muralhas de seda entre si e os seus adversários. Ordena ao acampamento português que proceda dessa forma, saudando o inimigo com sedas luminosas, e as tropas celebram a sua bravura. Mécia, sozinha, teme pelo pai e por Álvaro. Reza por libertação e, no final, os seus olhos choram de felicidade – Álvaro e D. Lopo resolveram as suas diferenças, e o coro final exalta os dois cavaleiros.»¹ 

Instrumentação

3 Fl | 2 Ob | 2 Cl | 2 Fg | 4 Tpt | 2 Hn | 3 Tbn | Tb | Perc | Vln | Vla | Vc | Cb
Partitura: Biblioteca Municipal Florbela Espanca

Sobre a Obra

A ópera Dona Mécia inspira-se em episódios da vida de Mencía López de Haro (c. 1215–c. 1270), nobre da Biscaia que foi rainha consorte de Portugal pelo seu casamento com D. Sancho II. O libreto de Júlio Dantas baseia-se sobretudo no Nobiliário do Conde D. Pedro de Barcelos, onde se narram feitos lendários de D. Álvaro Pérez de Castro, nomeadamente o célebre episódio em que este manda erguer «muralhas de seda» durante o cerco de Paredes de Nava, gesto motivado pelo seu amor por D. Mécia²

Classificada como «novela lírica», Dona Mécia adopta o estilo romântico, mas revela afinidades com correntes germânicas do final do século XIX, próximas do ideal wagneriano de «drama musical». A temática medieval e o conflito entre trovadores portugueses e espanhóis conferem-lhe um forte tom nacionalista, ainda que o tratamento histórico seja livre. Escrita originalmente sobre um libreto em português, a obra foi vertida para italiano, em consonância com a tradição operática vigente em Lisboa.

Estreada no Coliseu dos Recreios em Julho de 1901, foi recebida pela imprensa como um grande sucesso, regressando aos palcos apenas quinze anos mais tarde, no Porto e em Braga³. A primeira apresentação da ópera em português realizou-se em 1971, no Teatro Nacional de São Carlos, com direção de Manuel Ivo Cruz, a propósito das comemorações do 1º centenário do nascimento de Óscar da Silva.

Estreia

Data: 1901
Local: Coliseu de Lisboa
Elenco:  Dolores Arroyo, Ceccarelli, Cabello e Candela.

Partituras & Mais Informações

Referências

  1. Miguel Audaciano Campinho, Óscar da Silva (1870–1958):Life and Solo Piano Works (PhD diss., The Hartt School, University of Hartford, 2015), 17-18 (tradução de Filipa Cruz). 
  2. Campinho, Óscar da Silva (1870–1958), 16.
  3. Campinho, Óscar da Silva (1870–1958), 19.
  4. Campinho, Óscar da Silva (1870–1958), 111.