La Serva Padrona - A Criada Patroa

2002

Descrição

Compositor:

Versão moderna do intermezzo musicale de G. B. Pergolesi
Libretista: G. A. Federico
Intermezzo musicale
Data: 2002
Língua: Português
Duração: 90 minutos
Pequeno formato

Personagens

Serpina, a criada: soprano
Uberto, o Patrão: barítono
Criado mudo: actor

Sinopse

Serpina, criada atrevida de Uberto, que dele, no entanto, faz os encantos, serve-o com demora e sobranceria e leva o seu atrevimento a ponto de, primeiro, querer condicionar as saídas do seu patrão e, depois, de se lhe impor como noiva, o que ele recusa. Um criado mudo, Vespone, também ao serviço de Uberto e nem sequer muito bem tratado por Serpina, será dela, porém, precioso comparsa na farsa que levará o amo a aceitar a criada em casamento: tomando a «máscara» de Capitão, numa autêntica rábula de commedia dell’arte, faz-se passar por noivo de Serpina, a quem o patrão deverá dar um dote, ou, se o não fizer, tomá-la então para si.  A recusa de Uberto em pagar é o triunfo de Serpina, que de criada passa a patroa, desposando Uberto, que acede de bom grado ante a ameaça do terrível Capitão Tormenta.

Instrumentação

Fl | Ob | Cl | Perc | Vln | Vc | Cb

Sobre a Obra

La Serva Padrona é, de certo modo, uma peça inaugural da ópera cómica e é, por isso, frequentemente representada em todo o mundo. Inédita, porventura, é a intervenção agora feita sobre este intermezzo musicale, embora não seja esta a primeira vez que uma partitura de Pergolesi é, por assim dizer, revisitada por um compositor do nosso tempo, pois Stravinsky, em Pulcinella (ballet com canção em um acto), já o fizera.

Em termos musicais, aposta-se numa diferente orquestração, com uma instrumentação próxima de algumas obras emblemáticas do século XX, algo entre o Pierrot Lunaire, de Schönberg, e a História do Soldado, de Stravinsky.

Essa instrumentação possui qualidades que tanto podem aproximar a música de sonoridades ligadas ao Barroco (flauta, oboé e cordas) como, por outro lado, através do uso do vibrafone e do clarinete e da supressão do cravo, instrumento do Barroco por excelência, podem fazê-la demarcar-se imediatamente desse período. A modernidade, porém, é obtida, mais do que pela instrumentação, pelo tipo de linguagem musical utilizada.

As árias e duetos têm um tratamento orquestral contemporâneo, ainda que respeitando, dum modo geral, a partitura de Pergolesi, e os recitativos não são cantados, mas sim falados. Poder-se-á pensar no singspiel de Mozart na Flauta Mágica, onde não existe qualquer acompanhamento dos diálogos, mas agora há música original a enquadrar as «falas» dos cantores, onde o trabalho criativo vai mais além do que na orquestração, sem nunca deixar de ter em conta, obviamente, o ponto de partida.

Propõe-se, assim, um diálogo com a obra barroca, em que esta tem ainda a primazia, e à encenação cabe sustentar esse diálogo e explorá-lo ao limite da ruptura, sem a realizar com acinte.

Estreia

Data: 2002
Local: Palácio Nacional da Ajuda
Encomenda: Ministério da Cultura/Instituto Português de Artes e Espectáculos
Encenação: Paulo Lages
Direcção musical: Humberto Castanheira
Elenco: Margarida Marecos, Fernando Marques Gomes e Guilherme Filipe

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