Libretista: Martha Asunción Alonso
Ópera de câmara
Data: 2021
Língua: Castelhano
Duração: ca. 58 minutos
Pequeno formato
Gala: soprano
Doutor Psicanalista: voz off
Para que soe a música, é necessário que exista previamente o silêncio — tal como nenhum mar pode abrir-se sem a certeza, por mais distante que seja, de que um pedaço de terra firme aguarda oculto na dobra de algum mapa.
Também não há primavera sem inverno. Nem bosque sem raízes. Nem paraíso sem purgatório. Nem luz sem trevas. Nem ouro sem lama. Nem lucidez sem loucura. Nem riso leve sem que antes (nos) tenha pesado o sangue nas veias. Nem yin sem yang. É preciso, de facto, conhecer o sul para poder, talvez, chegar um dia a quase compreender o coração do norte. E vice-versa.
O mesmo acontece quando se trata de conhecer, ou pelo menos de tentar conhecer, a vida secreta de Salvador Dalí. Como falar do ídolo sem escutar o homem? Como falar do génio sem convocar a fada?
Por tudo isto, reúnem-se nesta proposta Gala e o universo. Pois quem melhor do que a estrela polar do artista para nos guiar, de ouvido, na odisseia em direção a todos os seus centros?
Elena Ivánovna Diákonova submete-se, assim, a uma singular sessão de psicanálise que roça a oração. Durante a mesma, o público será também convidado a fechar os olhos para começar a ver.
Saltando de tela em tela, de verso em verso e de memória em memória, como um veleiro que sulca a fé de ilha em ilha, Gradiva colocará nas mãos do espectador, ao mesmo tempo, uma faca afiada e uma flor em vias de extinção: as chaves-mestras das portas sem retorno às profundezas da irrepetível consciência daliniana.
Sax (S/A/T/Bar) | Vln | Vla | Vc | Pf | Synth
Data: 2021
Local: Cine-Teatro de Pombal
Encenação: Carlos Antunes
Direcção musical: Nuno Côrte-Real
Elenco: Conchi Moyano, Jesus Ramos e Ensemble Darcos