Libretista: João Pedro Oliveira
Libreto baseado no Livro do Apocalipse, capítulos 1-4)
Data: 1990
Língua: Grego antigo
Duração: 45 minutos
Pequeno formato
Ioannes: baixo
Sete Anjos: coro feminino
Fl | Cl | Tpt | Tbn | 2 Perc | 4 Vln | 3 Vla | 3 Vc | 2 Cb + Electr
Editora: Centro de Investigação e Informação da Música Portuguesa
Em 1988 iniciei a composição de um grupo de 7 obras inspiradas no livro do Apocalipse, no Novo Testamento. Este ciclo, originalmente pensado como sendo uma evocação, em termos musicais, das profecias contidas nesse livro, alargou o seu contexto para uma reflexão pessoal, transposta para música, sobre o mistério da criação artística e suas origens mais profundas. A palavra «Apocalipse» em si mesma traduz a ideia de «revelação», como qualquer coisa que não é criada pelas mãos/mente humana, mas que é transmitida (revelada) pessoalmente por Deus.
Nas notas de programa de uma das outras peças deste ciclo, intitulada Visão, escrevi as seguintes considerações:
Considero que o acto de criação na sua essência, e tal como eu o concebo, não existe por si só mas é resultado de uma revelação que se processa através do nosso Espírito para a nossa Mente, e cujas origens não podemos determinar. Para o ateu, talvez ele seja considerado como o resultado de toda uma vivência em termos musicais, todo um conhecimento e compreensão de um passado e presente, um reflexo da experiência vivida. Para o crente, essa revelação vem de Deus. No entanto, há uma característica comum a ambos os casos, que é o facto de que o ego do criador é de certa forma destruído por essa revelação, tendo de se submeter a ela.
A natureza e essência dessa revelação são de certa forma efémeras. Ela pode vir durante um sonho, um momento de angústia ou alegria, um momento de reflexão, etc., e pode consistir num som, um gesto musical, um timbre, uma frase, uma imagem, etc. Partindo daí, o criador tem que dar corpo a esse momento, construindo ao redor dele todo um complexo retórico-musical, que justifica e fortalece a sua essência.
Este ciclo está completo. As obras que o constituem, até ao momento, são as seguintes:
A Cidade Eterna (música electroacústica, composta em 1988);
Patmos (ópera, composta em 1990);
Tessares (para orquestra, composta em 1991);
Visão (para soprano, orquestra e electroacústica, composta em 1992);
Requiem (para solistas, coro, orquestra e electroacústica, composta em 1994);
Íris (para violino, clarinete, violoncelo, piano e electroacústica, composta em 2000);
A 70ª Semana (ópera multimídia, composta em 2022).
Cada uma destas peças pretende abordar um aspecto da revelação. Patmos, que se baseia nos primeiros quatro capítulos do Livro de Apocalipse, refere a necessidade em termos de vivência espiritual dessa revelação.
Data: 1990
Local: 17.os Encontros Gulbenkian de Música Contemporânea, Lisboa
Encomenda: Secretaria de Estado da Cultura/Teatro Nacional de São Carlos
Direcção musical: Álvaro Salazar
Elenco: Orquestra Gulbenkian
Distinção: Prémio Nacional de Composição Joly Braga Santos – Categoria Música de Orquestra