Três máscaras

1984

Descrição

Libretista: Maria de Lourdes Martins
Libreto a partir de As máscaras de José Régio
Data: 1984
Língua: Português
Pequeno formato

Personagens

Columbina: soprano
Pierrot: tenor
Mefistófeles: barítono
A Dona da Casa: mezzo-soprano
Mulher mascarada: mezzo-soprano
Homem mascarado: guitarrista
Coro¹ 

Sinopse

A acção decorre na antecâmara de um salão de baile. Três personagens encontram-se: Columbina, Pierrot e Mefistófeles e desenrola-se um jogo de sedução por Columbina. Os disfarces que envergam possibilitam confissões entre as personagens e reafirmam as suas identidades. A peça retoma figuras clássicas do teatro, da Commedia d’el Arte e do mito de Fausto.

A acção decorre na actualidade, durante um baile de máscaras, numa casa elegante da capital. A cena representa uma sala menor, próxima do salão de baile. Arranjo sóbrio e de bom gosto. Grande porta envidraçada ao fundo, sobre um terrado. Uma porta larga à esquerda, outra à direita. A sala está deserta ao subir o pano. Columbina entra a correr pela esquerda, logo seguida de Pierrot. Mefistófeles sai-lhe ao encontro pela direita. Columbina corre até à  boca de cena, e volta-se de repente. Fica de costas para o público.

Columbina – Estou, então, entre dois fogos?

Pierrot (avança dois passos, com ambas as mãos no peito) – O do meu coração, Columbina!

Mefistófeles (avança também dois passos e dobra-se numa leve reverência) – Columbina…, o do meu desejo! (…)².

Instrumentação

Fl | Cl | Fg | Tpt | Gtr | 2 Perc³

Sobre a Obra

A primeira incursão da compositora pelo género operático surgiu de uma encomenda do Ministério da Cultura. O libreto foi escrito a partir da peça de José Régio, As máscaras (1940), estreada em 1947 pelo Grupo de Teatro Moderno da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Ópera em um acto para coro e orquestra, recorre a conjunto instrumental pouco usual, com coro, orquestra e três pequenos grupos instrumentais (trompete e bateria; percussão; flauta, clarinete e fagote). Subjacente à escolha destes conjuntos instrumentais esteve a vontade da compositora de fazer algo diferente em relação à sua própria linguagem musical e próximo da improvisação jazzística.

Três máscaras estreou no Teatro Nacional de São Carlos a 27 de Julho de 1986 pela Orquestra e Coro do TNSC e contou com a encenação de Mário Feliciano, cenografia e figurinos de António Casimiro e coreografia de Vicente Trindade. As récitas incluíam também a representação da ópera de Antonio Salieri, Prima la musica poi le parole, em estreia moderna em Portugal. A maquete do cenário para a Três Máscaras está incorporada na colecção do Museu Nacional do Teatro e Dança.

Estreia

Data: 1986
Local: Teatro Nacional de São Carlos, Lisboa
Encomenda: Ministério da Cultura
Encenação: Mário Feliciano
Direcção musical: Manuel Ivo Cruz
Elenco: Elsa Saque, Fernando Serafim, Vaz de Carvalho, Manuela Santos, Helena Cláudio, Lopes e Silva, Centro de Formação Profissional da Companhia Nacional de Bailado do Teatro São Carlos e do Conservatório Nacional, Coro do Teatro Nacional de São Carlos e Orquestra do Teatro Nacional de São Carlos

Referências

  1. Centro de Investigação & Informação da Música Portuguesa, Três máscaras, consultado a 19 de Março, 2026, https://www.mic.pt/cimcp/dispatcher?where=2&what=2&show=1&obra_id=376&lang=PT
  2. José Régio, «Três máscaras» in Obra completa: Teatro vol. II (Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 2005), 255. Excerto do início da peça.
  3. Centro de Investigação & Informação da Música Portuguesa, Três máscaras, consultado a 19 de Março, 2026, https://www.mic.pt/cimcp/dispatcher?where=2&what=2&show=1&obra_id=376&lang=PT
  4. José Carlos Calixto, [Entrevista a Maria de Lourdes Martins], Centro de Investigação & Informação da Música Portuguesa, Dezembro, 2004, áudio, //mic.pt/dispatcher?where=5&what=2&show=0&pessoa_id=107&lang=PT#fragmento_3.
  5. António Casimiro, Maquete de cenário da ópera As três máscaras, Museu Nacional do Teatro e da Dança, consultado a 26 de Março de 2026,  RAIZ.

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