Maria de Lourdes Martins

1926
-
2006
Compositora

Biografia

O percurso profissional e pessoal de Maria de Lourdes Martins dividiu-se entre a pedagogia e a composição. Os primeiros anos de formação musical foram com a mãe, Maria Helena Martins, tendo, depois, frequentado o Conservatório Nacional nos cursos superior de piano, com João Abreu Mota, e de composição, com Artur Santos e Jorge Croner de Vasconcelos, e ainda o curso de cravo e clavicórdio de Santiago Kastner. O interesse mais sério pela composição despertou nas aulas de Croner de Vasconcelos, segundo recordações da compositora, e as primeiras composições datam da década de 1940. A partir de então, Maria de Lourdes Martins dedicou-se a diversos géneros musicais, numa carreira musical que se prolongou por praticamente toda a vida e de que resultou um catálogo extenso, de mais de seis dezenas de obras, algumas das quais premiadas. Contudo, a compositora sentia uma certa frustração em relação ao meio musical português, tendo partilhado o seu desalento por muitas das obras permanecerem desconhecidas, ou não serem tocadas para além do momento de estreia¹.

Em 1948, Maria de Lourdes Martins iniciou-se como pianista da Emissora Nacional, onde interpretou obras da sua autoria. Foi, depois, bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian, no âmbito da qual frequentou as classes de composição de Harald Genzmen, na Escola Superior de Música de Munique (1959-1960) e os cursos de composição de Darmstadt, sob a orientação de Karlheinz Stockhausen (1960). Também participou nos seminários de Angelo Francesco Lavagnino, sobre música para filmes, em Siena, e de Bruno Maderna, em Darmstadt (ambos, em 1961). Numa primeira fase, a obra de Martins revela as influências da música de Stravinsky e, particularmente, de Bartók, apontado pela própria como um dos compositores que mais a marcou. Porém, em meados da década de 1960 – e depois de contactar com a vanguarda de Nono, Boulez, Stockhausen e outros compositores – estabeleceu uma linguagem musical mais pessoal, ancorada no atonalismo, pesquisas tímbricas, recursos ao aleatório e à improvisação e de estrutura harmónica em clusters. As obras Esqueletos para quatro instrumentos, de 1963, e a cantata O Encoberto, de 1965, por exemplo, são representativas da mudança estilística que se operou e que seria confirmada nos anos seguintes. Interesse pelo folclore e por temas populares portugueses coexistiu com esta nova linguagem e relacionada com a sua acção no campo pedagógico. Durante a estadia em Munique, Martins contactou com Carl Orff e com os seus métodos de ensino musical. De regresso a Portugal, tornou-se uma divulgadora empenhada da Orff-Schulwerk, tendo feito a tradução e adaptação dos primeiros manuais, e dedicado tanto à iniciação musical para crianças como à formação de professores².

Leccionou no Instituto de Música de Coimbra, na Academia Luísa Todi de Setúbal, na Escola-Piloto de Formação de Professores de Educação pela Arte, na Escola Superior de Teatro e no Conservatório Nacional. Foi membro da direcção da International Society of Music Education e da Juventude Musical Portuguesa e uma das pessoas responsáveis pela criação da Associação Portuguesa de Educação Musical³.

Óperas

A Donzela Guerreira (1995)

Bar + Coro + Fl | Cl | Pf | Perc
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Três Máscaras (1984)

S | 2 Mz | T | Bar + Coro + Fl | Cl | Bsn | Tpt | 2 Perc | Gtr
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Referências

  1. Paulo Brandão, «Maria de Lourdes Martins, criadora nos mundos da composição e da pedagogia» interview, Arte Musical, N.º 10/11, January, March,  April, 1998, 5–14.; Sérgio Azevedo, A música de Maria de Lourdes Martins, Arte Musical, N.º 10/11, January, March, April, 1998, 18–22.; Adriana Latino, «Maria de Lourdes Martins», Enciclopédia da Música em Portugal no século XX, vol. L–P, ed. Salwa Castelo-Branco (Círculo de Leitores, 2010), 749–751.
  2. Brandão, «Maria de Lourdes Martins, criadora nos mundos da composição e da pedagogia» 5–14; Azevedo, A música de Maria de Lourdes Martins, 18–22; Latino, “Maria de Lourdes Martins”, 749–751.
  3. Brandão, «Maria de Lourdes Martins, criadora nos mundos da composição e da pedagogia» 5–14; Azevedo, A música de Maria de Lourdes Martins, 18–22; Latino, “Maria de Lourdes Martins”, 749–751.