Fundação Calouste Gulbenkian

1969

O Teatro

Sedeada em Lisboa, a Fundação Calouste Gulbenkian é uma instituição com fins caritativos, artísticos, científicos e educativos criada a 18 de Julho 1956 pelo testamento do milionário arménio Calouste Sarkis Gulbenkian (1869-1955), que se estabelecera na capital portuguesa em 1942. Após alguns anos em instalações provisórias, o edifício-sede e o Museu Gulbenkian (que alberga a riquíssima colecção de arte do testador) foram inaugurados em 1969, sob o traço dos arquitectos Ruy Athouhuia, Pedro Cid e Alberto Pessoa, e com projecto de arquitectura paisagística de Caldeira Cabral (posteriormente desenvolvido por Gonçalo Ribeiro Teles)¹

A nova instituição viria rapidamente a exercer um impacto decisivo, a vários níveis, sobre a vida musical portuguesa, por meio de um conjunto variado de iniciativas promovidas pelo seu Serviço de Música, impulsionado pela sua primeira directora, Madalena de Azeredo Perdigão (contratada em Fevereiro de 1958). Entre estas contam-se: a realização dos Festivias Gulbenkian de Música, entre 1957 e 1970, que nessa data davam lugar à organização de temporadas regulares de concertos nos auditórios da Fundação; a criação de uma orquestra profissional própria em 1962, originalmente designada Orquestra de Câmara Gulbenkian, e depois, a partir de 1971, Orquestra Gulbenkian, com uma dimensão sinfónica; e a criação de um coro semiprofissional — o Coro Gulbenkian — em 1964, bem como, no ano seguinte, de um grupo de bailado, designado a partir de 1976 Ballet Gulbenkian.² Por essa altura, entre 1961 e 1963, o Serviço de Música chegou a patrocinar, num projecto exterior, um Grupo Experimental de Ópera de Câmara, dirigido por Filipe de Sousa e constituído por intérpretes nacionais. No curto período da sua existência, explorou repertório do século XVIII e do século XX, nomeadamente obras de Cimarosa, Mozart, Pergolesi, bem como de Busoni, Jean Françaix, Menotti e Stravinski. Esta era uma experiência inovadora em Portugal, mas a recepção fria do público em geral levou a que o Serviço de Música cessasse o seu apoio, transferindo-o para a nova Companhia Portuguesa de Ópera recentemente criada no Teatro da Trindade³. Outras iniciativas de relevo foram os Encontros Gulbenkian de Música Contemporânea (a partir de 1977), as Jornadas de Música Antiga (a partir de 1980) ou o ciclo Grandes Orquestras Mundiais (a partir de 1988), para além de variedade de outros programas (apoios à expansão da rede de ensino musical, bolsas de estudo em Portugal e no estrangeiro, masterclasses, apoio à investigação musicológica e à edição, encomendas a compositores) e do ACARTE (criado em Junho de 1984) — todo um conjunto de iniciativas que contribuíram de modo decisivo para o desenvolvimento da vida musical portuguesa e que permitiram que Lisboa se integrasse nos principais circuitos internacionais da música erudita.

Referências

Fundação Calouste Gulbenkian

  1. Rui Vieira Nery, «Fundação Calouste Gulbenkian», in Enciclopédia da música em Portugal no século XX, vol. 2, dir. Salwa Castelo-Branco (Círculo de Leitores / Temas & Debates, 2010), 535-536.
  2. Rui Vieira Nery e Paulo Ferreira de Castro, História da Música (Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1991), 177; Nery, «Fundação Calouste Gulbenkian», 538-543.
  3. Nery, «Fundação Calouste Gulbenkian», 542.
  4. Nery, «Fundação Calouste Gulbenkian», 543-548.