Teatro da Rua dos Condes

1738 - 1755; c. 1770 - 1882

O Teatro

De 1738 a 1755

O Teatro da Rua dos Condes, cuja denominação derivava do facto de se localizar em terrenos antes pertencentes aos condes da Ericeira, foi construído em 1738, acolhendo desde o início a actividade operática que vinha sendo desenvolvida, desde 1735, na Academia da Trindade, por iniciativa de Alessandro Paghetti, violinista da Capela Real1. Tal como naquele espaço, também aqui se representava exclusivamente ópera séria italiana, por vezes acompanhada de intermezzi cómicos nos intervalos, contando com uma adesão significativa da aristocracia cortesã.

O terramoto de 1755 foi responsável pela sua destruição2.

De meados de 1770 a 1882

Destruído pelo terramoto de 1755, o edifício original do Teatro da Rua dos Condes (1738-1755) daria lugar a um novo, construído entre 1756 e 1765, segundo o projecto do arquitecto Petronio Mazzoni. A vida deste novo espaço pode ser dividida em dois grandes períodos. Numa primeira fase, até à abertura oficial do Teatro Nacional D. Maria II (13 de Abril de 1846), o Teatro da Rua dos Condes tentou afirmar-se como «Teatro Nacional», em concorrência com o Teatro do Salitre. A sua actividade foi iniciada ainda no início da década de 1760, alternando teatro declamado em português com óperas italianas e bailados3.

Em 1771, a constituição da Sociedade para a Subsistência dos Theatros Publicos de Lisboa, uma sociedade monopolista sob a protecção da corte que visava a gestão operática e teatral, atribuía o exclusivo do teatro declamado em português ao Teatro do Bairro Alto e o da ópera italiana ao Teatro da Rua dos Condes. No entanto, o fracasso comercial levou à sua dissolução em 1774, e só entre 1790 e 1792 a ópera italiana voltaria ao palco deste teatro, dirigida por António Leal Moreira, que no ano seguinte assumiria funções no novo Teatro de São Carlos4.

No início do século XIX, o Teatro da Rua dos Condes acolheu essencialmente companhias dramáticas nacionais, vivendo sempre com escassez de recursos, e após um breve encerramento em 1833, por altura da Guerra Civil, foi lá que se instalou uma companhia francesa (que incluía o influente Émile Doux), que representava dramas românticos e comédias em francês. Em 1837 essa companhia sai, mas Doux mantém-se, formando um novo elenco e apresentando esse mesmo repertório em tradução5. 

Em 1840 o conde de Farrobo passa a ser o empresário do teatro, mas Doux mantém-se como responsável pelo repertório, pelos actores e pela direcção de cena. Assistiu-se então a uma difusão do repertório musico-teatral cómico francês, o que viria a abrir caminho ao sucesso das operetas de Offenbach, a partir de 1868. No entanto, o público foi-se afastando. Entretanto, em Abril de 1843 terminava o contrato da empresa do conde de Farrobo e na Primavera de 1846 a maioria dos actores transitava para o novo Teatro D. Maria II6.

Numa segunda fase, a partir da sua reabertura em 1852, o Teatro da Rua dos Condes funcionou essencialmente como teatro de comédia, o único género então licenciado para o seu palco, acolhendo essencialmente companhias dramáticas portuguesas que apresentavam obras nacionais e francesas em tradução, assim como teatro de revista. Tendo em consideração o espaço reduzido e os problemas de segurança, o espaço acabaria por ser demolido em 18827.

Referências

  1. Manuel Carlos de Brito, “A música portuguesa no século XVIII”, em Olhares sobre a história da música em Portugal, coord. Jorge Alexandre Costa (Verso da História, 2015), 132.
  2. Mário Vieira de Carvalho, «Pensar é Morrer» ou O Teatro de São Carlos na mudança de sistemas sociocomunicativos desde fins do séc. XVIII aos nossos dias (Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1993), 44; Rui Vieira Nery e Paulo Ferreira de Castro, História da Música (Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1991), 92-94.
  3. Ana Isabel P. Teixeira de Vasconcelos, O Teatro em Lisboa no tempo de Almeida Garrett (Museu Nacional do Teatro, 2003), 25-26.
  4. Manuel Carlos de Brito, «A música portuguesa no século XVIII», in Olhares sobre a história da música em Portugal, coord. Jorge Alexandre Costa (Verso da História, 2015), 143-145.
  5. Vasconcelos, O Teatro em Lisboa no tempo de Almeida Garrett, 27-28.
  6. Rui Vieira Nery e Paulo Ferreira de Castro, História da Música (Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1991), 102-103 e 119-120.
  7. Vasconcelos, O Teatro em Lisboa no tempo de Almeida Garrett, 29.