No contexto da rivalidade social e cultural existente em relação a Lisboa (que já tinha assistido à inauguração do Teatro de São Carlos em 1793), as elites portuenses avançaram também para a criação do seu teatro público de ópera. A construção do Teatro de São João foi promovida por Francisco de Almada e Mendonça, antigo corregedor do Porto, através de uma sociedade por acções constituída por capitalistas e negociantes da cidade, tendo a sua denominação sido concedida em honra do príncipe D. João, então regente, dado o impedimento de D. Maria I. Sob o plano arquitectónico da autoria do italiano Vicente Manzoneschi (que então era cenógrafo ao serviço do Teatro de S. Carlos e do Teatro da Rua dos Condes, em Lisboa), as obras foram iniciadas em Abril de 1796 e a inauguração teria lugar a 13 de Maio de 1798, no dia do aniversário do futuro D. João VI, com a comédia A Vivandeira¹.
Ao longo do século XIX, exceptuando dois períodos de inactividade (1798-1816 e 1880-1885), o teatro teve um funcionamento relativamente contínuo, tanto no campo operático como no campo dramático, apesar dos reduzidos subsídios estatais que lhe foram atribuídos, o que não deixou de constituir um condicionamento. Nos primeiros anos, o repertório lírico baseava-se essencialmente em óperas sérias e cómicas de compositores como Cimarosa, Fioravanti, Guglielmi, Mayr, Paisiello, Salieri, Zingarelli, mas também algumas óperas francesas (cantadas em italiano), e a partir de 1820 as óperas de Rossini começaram a impor-se na programação, assim como as de Bellini e Donizetti na década de seguinte e as de Verdi a partir de 1844. As óperas mais faustosas de Meyerbeer chegaram na década de 1860, seguidas de outro importante repertório francês, e nos anos 90 seria a vez da música da Giovine Scuola e de Wagner².
Na noite de 11 para 12 de Abril de 1908, o Teatro de São João foi completamente destruído por um incêndio e a sua reconstrução seria dificultada pela conturbação política dos anos que se seguiram. A inauguração do novo edifício, com projecto arquitectónico de Marques da Silva, teria lugar finalmente a 7 de Março de 1920, com uma representação da Aida, de Verdi. Este novo espaço começaria por dar continuidade à tradição estabelecida, conciliando a actividade lírica com o teatro declamado, mas a partir da década de 1930 passaria a predominar uma programação de concertos sinfónicos, apresentações de agrupamentos de música de câmara e recitais a solo, nomeadamente a partir do momento em que se estabeleceu a relação com o Orpheon Portuense, em 1934, instituição que colocava a cidade do Porto em contacto com os principais circuitos internacionais. A partir de 1949, há a notar igualmente os concertos dados pela Orquestra Sinfónica Nacional e pela Orquestra Sinfónica do Conservatório de Música. O florescimento de outras instituições culturais na cidade levaria, porém, a uma degradação gradual do Teatro de São João, que seria finalmente adquirido pelo Estado a 8 de Outubro de 1992 e reconvertido em Teatro Nacional³.