Existiam no século XVIII dois teatros lisboetas designados por «Teatro do Bairro Alto». O primeiro, num local indeterminado do Bairro Alto, era conhecido igualmente como a «Casa de bonecos», visto que os actores não eram humanos, mas sim bonifrates de cortiça e arames. A sua actividade limita-se aos anos 1733 a 1742, quando se representaram as oito «óperas portuguesas» com texto de António José da Silva («O Judeu») e música de António Teixeira, assim como de outros autores que seguiram o mesmo modelo: tragicomédias com música, próximas das zarzuelas espanholas desta época em termos dramáticos, com árias, duetos e ensembles no estilo italiano e minuetes cantados (tal como nas zarzuelas)1. Em 1742, com a proibição da actividade teatral por ordem de D. João V, a Casa dos Bonecos encerrou as suas portas, tendo sido destruída no terramoto de 1755.
O segundo Teatro do Bairro Alto, também conhecido como Teatro do Conde de Soure, por estar localizado no pátio do palácio deste, embora em funcionamento de 1761 a 17752, encenou óperas apenas entre 1765 e 1771.3 Foi nestes anos que cantaram as irmãs setubalenses Cecília Rosa, Isabel Ifigénia e Luísa de Aguiar, que se casou com o concertino da orquestra, Francesco Saverio Todi, viajando depois por toda a Europa como Luísa Todi4. Entre as óperas representadas neste teatro constam obras de Perez, Latilla, Scolari e Piccinni. O Teatro da Rua dos Condes também encenava óperas durante estes anos e com a criação da Sociedade para a Subsistência dos Theatros Publicos de Lisboa, em 1771, pelo seu regulamento, o Rua dos Condes assumiu a exclusividade da encenação da ópera italiana, enquanto o Bairro Alto se cingiu ao teatro em língua portuguesa.