Angelo Frondoni nasceu em Parma entre 1808 e 1809 e realizou a sua formação musical na cidade natal e em Milão. No início do seu percurso como compositor, viu a sua farsa Il carrozzino da vendere ser representada no Teatro alla Scala, em 18331. Em 1838, foi contratado pelo Conde de Farrobo, Joaquim Pedro Quintela, como diretor artístico do Teatro de São Carlos, em Lisboa. As suas primeiras composições em território português, apresentadas neste teatro, incluem uma Abertura (1838) e dois bailados: A Ilha dos Portentos (1839) e Volta de Pedro o Grande de Moscovo (1841)2.
Em 1843, quando o Conde de Farrobo abandonou a administração do São Carlos, Frondoni foi substituído e optou por dedicar-se ao ensino. Apesar disso, conseguiu que fosse apresentada nesse teatro a sua única ópera escrita em Portugal, I profughi di Parga, sobre libreto de Cesare Perini, em 1844. Após esta experiência, Frondoni decidiu abandonar a composição de óperas italianas e procurou adaptar-se às características do meio musical português, que nos seus teatros secundários privilegiava géneros como a farsa e a ópera cómica, muitas vezes resultantes de adaptações de obras francesas3.
Ainda em 1844, o público do Teatro da Rua dos Condes aplaudiu «um dos seus êxitos mais brilhantes e populares», a farsa O Beijo, com texto de Silva Leal4. Entre 1845 e 1849, compôs mais três operetas: O Caçador (1845), Um bom homem d’outro tempo (1846) e Qual dos dois? (1849). Em 1850, dirigiu mais três obras cómicas no Teatro do Ginásio, onde passou a exercer funções de diretor artístico, após a saída de Joaquim Casimiro Júnior: 1762 ou os amores de um soldado, A Bruxa e O Capelão do Regimento5.
Se, por estes anos, disfrutava de uma especial relevância no meio musical português, disputando o protagonismo da cena teatral com Casimiro, sofria igualmente as represálias do seu alinhamento com a causa republicana. Em 1846, compôs o célebre Hino do Minho (ou da Maria da Fonte), entoado pelos que procuravam destronar D. Maria II, facto que lhe acarretou várias dificuldades. Segundo Ernesto Vieira, Frondoni foi «obrigado a esconder-se, para não ser preso, e D. Maria II, tão solicita em honrar os artistas distintos, nunca o recebeu no paço». Apesar da relação tensa com a Coroa, o compositor continuou a escrever música para os teatros portugueses até 18636.
Mais tarde, entre 1868 e 1873, foi diretor artístico e compositor do recém-inaugurado Teatro da Trindade, onde apresentou a sua ópera cómica e burlesca Barba Azul, em 1868, e compôs música para acompanhar várias peças, entre as quais se destacam as mágicas Gata Borralheira, Rosa de Sete Folhas, Três Rocas de Cristal e a ópera cómica O Rouxinol das Salas. Entre 1873 e 1874, dirigiu a temporada operática do Teatro de São Carlos e, no ano seguinte, apresentou a ópera burlesca O Filho da Senhora Angot no Teatro do Príncipe Real, obra com a qual se despediu do repertório dramático7.
Nos seus últimos anos, Frondoni dedicou-se à promoção do canto orfeónico em Portugal. Para esse efeito, viajou para Paris e para a Bélgica, onde contactou com sociedades de canto coral, procurando implementar práticas semelhantes em Lisboa e no Porto, ainda que sem grande sucesso. O compositor faleceu a 4 de junho de 1891, deixando, além da sua produção musical, vários versos, artigos, panfletos e coleções de música publicados ao longo dos anos8.