Filipe Duarte nasceu em Lisboa a 1 de Julho de 1855. Obteve a sua formação musical no Conservatório de Lisboa, onde estudou violino, composição e direção de orquestra. Em 1875 foi regente fundador da Academia de Alunos do Conservatório de Lisboa; no entanto, no ano seguinte, devido a dificuldades económicas, iniciou a sua atividade profissional como ocarinista, integrando a Sociedade de Concertos de Ocarinas, com a qual realizou uma digressão pela América do Sul¹.
De regresso a Portugal, tentou reunir os elementos dispersos da Academia de Alunos do Conservatório de Lisboa e fundar uma nova orquestra de músicos amadores que deveria dar concertos periódicos e que se instalou no Club Guilherme Cossoul em 1881. Três anos mais tarde, participa na criação da Real Academia dos Amadores de Música, na qual seria professor e regente de orquestra durante cerca de 50 anos. Um pouco antes, em 1882, estreou-se como solista de violino no Teatro Nacional de São Carlos, numa apresentação de Les Huguenots de Giacomo Meyerbeer².
O músico colaborou na Revista do Conservatório Real de Lisboa e foi vogal do conselho da arte musical da mesma instituição³. Em parceria com Marcelino Mesquita e Ribeiro de Carvalho, coordenou o periódico Almanach Editora: musical artistico litteratio, publicado em Lisboa entre 1910 e 1911⁴.
Como compositor, Filipe Duarte centrou-se sobretudo na música para revistas e operetas, afirmando-se como uma figura de relevo no teatro de revista português da viragem do século. Entre as suas obras destacam-se A Lancha Favorita, a sua primeira opereta, levada à cena no antigo Clube do Calvário, bem como Agulhas e Alfinetes (Teatro da Rua dos Condes, 1895), Nicles (1901), O Fado (Teatro Apolo, 1910), A Leiteira d’Entre-Arroios (Teatro São Luiz, 1920) e A Mouraria (Teatro Apolo, 1925). O carácter popular das suas criações valeu-lhe um extraordinário sucesso junto do grande público. Em 1911, a propósito do sucesso d’O Fado, Ernesto Vieira escrevia que:
Nesta última producção o autor tomou por thema a toada popular que dá o título á peça, desenvolvendo esse thema com summa habilidade, a contento do publico, que neste momento o applaude com grande enthusiasmo. Filippe Duarte é agora o compositor mais admirado dos frequentadores dos theatros populares.⁵
Não obstante o sucesso conquistado, a popularidade de Filipe Duarte atingiria um novo patamar na década de 20, com a composição de A Severa (1923), com libreto de Júlio Dantas e André Brun. O êxito desta obra inspirou a realização do primeiro filme sonoro português, Severa de Leitão de Barros, em 1931.
8 solistas + 2 Fl | 2 Cl | Ob | Fg | 2 Hn | 2 Tpt | Tbn | Timp | Perc | Vln | Vla | Vc | Cb
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