Libretista: Júlio Dantas e André Brun
Opereta em 3 actos
Data: 1909
Língua: Português
Pequeno formato
Severa
Conde de Marialva
Timpanas
Diogo
Romão
Custódia
Marquesa
D. José
«A Severa é uma pobre cantora de fado que se prostitui nas horas vagas, à qual Júlio Dantas deu uma ascendência cigana. Por ela se apaixona, ou talvez não, o Conde de Vimioso, que por razões rocambolescas se chama na história Conde de Marialva. Através da sua ligação com o Conde, largamente criticada de forma corrosiva pelos frequentadores populares da Taberna do Mangerona onde a Severa canta, espera ela, sair da condição à qual se sente condenada. Mas o que interessa ao Conde não é que ela saia, é que ela fique para que ele possa se possa abandalhar na taberna cantando o seu fadinho. Mas muitos são aqueles que a amam e lhe propõem mudar de vida. O Timpanas, o Diogo, o Romão, mas todos da mesma condição. Somente o Custódia, loucamente apaixonado por ela (talvez porque louco) recebe a sua amizade fraternal, o que muito desagrada ao Conde. E depois há uma Marquesa, também ela loucamente apaixonada pelo Conde, que a troca por uma cantora de fado, imagine-se lá! Enquanto D. José, de bela linhagem, vê o seu amor rejeitado pela Marquesa que prefere o cavaleiro-cantador de fados frequentador das tabernas mal-afamadas da Mouraria.»¹
2 Fl | 2 Cl | Ob | Fg | 2 Hn | 2 Tpt | Tbn | Timp | Perc | Vln | Vla | Vc | Cb²
Partituras: Biblioteca Nacional de Portugal
Estreada a 2 de Janeiro de 1909, no Teatro Avenida, em Lisboa, a opereta Severa junta a história do romance escrito por Júlio Dantas em 1901 – adaptado ao teatro pelo próprio no mesmo ano –, o libreto do humorista André Brun e a música de Filipe Duarte. A obra teve bastante sucesso em Portugal e no exterior, tendo sido traduzida para catalão, espanhol e alemão³. De acordo com Maria Espírito Santo:
O enredo produzido por Júlio Dantas […] expõe para as massas uma representação cénica do que se pode considerar o primeiro mito narrativo no fado — reconstruindo o bairro da Mouraria do século XIX, as suas personagens-tipo e os seus costumes. Neste enredo, Maria Severa surge envolvida numa relação amorosa com um aristocrata, inspirada na figura real do 13.º Conde de Vimioso, com quem se dizia ter mantido um caso. Dantas, no entanto, escolhe não nomear diretamente o nobre, substituindo o título por Marialva, evocando o arquétipo do galanteador aristocrático. É também neste texto que, pela primeira vez, é atribuída a Severa uma origem étnica cigana, acrescentando uma camada de exotismo e marginalidade à personagem (Guinot, Carvalho e Osório 1999: 228-229)⁴.
Data: 1909
Local: Teatro Avenida, Lisboa