Não se conhecem as datas de nascimento e morte de Francisco António de Almeida, porém sabe-se que foi um dos primeiros bolseiros do rei D. João V, a seguir a António Teixeira, enviados para Roma com o objectivo de aprofundar os seus conhecimentos em composição. No período de Quaresma de 1722, a sua oratória Il pentimento di Davidde foi ouvida em S. Girolamo della Carità e quatro anos depois, outra oratória, de título La Giuditta foi apresentada no Oratorio dei Filippini, na Chiesa Nuova, em Roma1. Os registos desse período são escassos, mas reveladores do seu sucesso: Andrea Trabucco, autor do libreto de Il pentimento di Davidde, elogiou o «virtuoso talento» do compositor, enquanto a legenda de uma caricatura de Pier Leone Ghezzi o descreve como «um bravíssimo compositor de concertos e de música de Igreja que, apesar de jovem, é um espanto e canta com gosto insuperável»2.
Em 1726, Francisco António de Almeida regressou a Portugal, onde se dedicou à composição de obras religiosas e seculares, apresentando, em 1728, a sua primeira senerata, Il trionfo della virtú, composta para celebrar a elevação de D. João da Mota e Silva ao cardinalato. Em 1729, o seu scherzo pastorale Il tronfo d’amore foi ouvido no Paço da Ribeira e, no ano seguinte, o mesmo espaço recebeu a sua serenata Gl’incanti d’Alcina. Na década de 30, iniciou-se na composição de óperas com La Pazienza di Socrate (A Paciência de Sócrates), baseada num libreto de Nicolò Minato revisto pelo secretário de D. João V, Alexandre de Gusmão. A obra foi apresentada no Paço da Ribeira no Carnaval de 1733 e é considerada a primeira ópera em italiano cantada em território nacional3 – na mesma altura, surgiram os espetáculos de ópera de marionetas no Teatro do Bairro Alto, com textos de António José da Silva e música de António Teixeira4.
Não sobrevivem registos da segunda ópera do compositor, La Finta Pazza, que foi estreada em 1735 no Paço da Ribeira – o mesmo acontece com a maioria das suas obras, perdidas, talvez, na sequência do terramoto de 1755. Já a terceira ópera de Francisco António de Almeida, La Spinalba ovvero il Vecchio Matto (A Spinalba ou o Velho Louco), estreada no Carnaval de 1739 – novamente no Paço da Ribeira –, é a ópera mais antiga escrita por um compositor português que se conserva na íntegra. Com libreto de autor anónimo, cenas rematadas por árias da capo, e estilo elegante e expressivo, esta ópera cómica em 3 atos estabelece uma relação clara com as inovações de compositores como António Scarlatti, Francesco Gasparini e Antonio Maria Bonocini, que, no início do século XVIII contribuíram para a sistematização deste género dramático5.
2 S | A | Mz | 2 T | Bar | B/Bar + 2 Ob | 2 Hn | Vln | Vla | Vc | Cb | Cemb
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