Francisco Xavier Migoni, de ascendência italiana, nasceu em Lisboa a 27 de Maio de 1811 e iniciou a sua formação musical no Seminário da Patriarcal, com o frei José Marques. Este desenvolveu um especial apreço pelo seu discípulo e desempenhou um papel importante na promoção da sua carreira musical, introduzindo-o a figuras de relevo, como o Marquês de Borba, e possibilitando a sua nomeação como professor de música na Universidade de Coimbra, em 1832¹.
Em 1835, após a substituição do Seminário da Patriarcal pelo Conservatório Nacional, Migoni aceitou o convite de João Domingos Bomtempo, para ocupar o lugar de professor de piano nessa instituição². Aquando da morte de Bomtempo, em 1842, o compositor acabou por assumir a direção da Escola de Musica do Conservatório, uma responsabilidade que conciliou com as funções de maestro no Teatro de São Carlos em algumas temporadas, entre 1843 e 1846 e a partir de 1748³.
Nesta altura, integrado no contexto teatral, Migoni decidiu arriscar-se no domínio do repertório dramático com a composição de Sampiero – uma ópera com libreto de Luigi Arceri, apresentada no São Carlos a 4 de Abril de 1852 e calorosamente recebida. Satisfeito com esta primeira experiência, o compositor decidiu dar continuidade à sua carreira operática com o mesmo libretista e, com ele, escreveu uma segunda ópera, Mocanna (1854), que não conseguiu captar o interesse do público e da crítica⁴. Três anos depois, foi encarregado de viajar a Paris e a Milão e encontrar uma companhia para integrar o São Carlos. Regressou da viagem com alguns célebres cantores, mas também com uma saúde fragilidade. A doença obrigou-o a interromper a composição e a atividade pedagógica e acompanhou-o durante os últimos anos de vida, até à data da sua morte, a 10 de Junho de 1861⁵.