Libretista: Luigi Arceri
Tragédia lírica em 3 actos
Data: 1853
Língua: Italiano
Grande formato
Sampiero: barítono
Vannina d’Ornano: soprano
Antonio di San Fiorenzo: baixo-barítono
Vivaldi: tenor
Irene: soprano
Rodolfo: tenor
Coro
«Cansados da dominação dos genoveses, os habitantes da Córsega, liderados por Sampiero, expulsaram-nos da sua pátria. Estes, porém, voltaram a cercar a ilha, obrigando Sampiero a partir em busca de auxílio no estrangeiro, deixando o governo nas mãos de Vannina, sua mulher, acessorada por um regente (Antonio di San’Fiorenzo). Génova aproveitou-se desta situação para reconquistar a ilha, subornando o regente e enviando como capitão da sua armada um certo Vivaldi, apaixonado de Vannina e inimigo de Sampiero. O drama tem início no ano de 1564.
Na Sala do Conselho damas e cavaleiros comentam o acordo de paz com Génova que deverá ser celebrado e a provável reacção de Sampiero quando dele tiver conhecimento. Entram Antonio e Vivaldi sucessivamente: o primeiro anuncia que Vannina acedeu a assinar o acordo e comenta, para si próprio, esperar ter tudo concluído antes da chegada de Sampiero. Ao entrar, Vannina é confrontada com o facto de que, além de ter de ceder o poder, deverá partir para o exílio. Apesar da sua relutância em aceitar tais condições sem consultar Sampiero e perante as pressões, acaba por assinar.
Numa praça à beira mar militares e povo correm para praia a fim de presenciar a chegada de Sampiero. Ao desembarcar este é informado por Rodolfo da assinatura do tratado e da suposta traição da mulher. Numa sala do castelo esta, aflita e sem as suas vestes reais, encontra-se com Sampiero e tenta explicar-lhe o sucedido mas o marido acusa-a de traição política e conjugal. Ao sair, Sampiero e os seus homens deparam com Vivaldi. Este procura fazê-los aceitar as condições de paz e explicar a inocência de Vannina, mas os corsos não o querem ouvir. Segue-se uma cena de tumulto, na qual todos invocam os seus motivos: Sampiero tenta expulsar Vivaldi enquanto este pretende ficar ao lado de Vannina que, por sua vez, sentindo-se abandonada, pressente a morte.
No seu gabinete Vannina é acalmada por Irene: a aia fá-la notar que ainda há quem a apoie, referindo-se a Vivaldi, mas Vannina explica que essa protecção só a fará sentir-se mais culpada. Entretanto, entra Vivaldi, disfarçado, que procura convencer Vannina a fugir, mas Sampiero surge. Os dois homens trocam acusações e estão a ponto de bater-se em duelo quando Vannina os separa. À luz da lua, num bosque escuro com diversos esconderijos, surge um grupo de conjurados. No meio da tempestade que entretanto se levantou entra Antonio, que é recebido entusiasticamente e anuncia o momento da vingança. Segue-se um juramento dos conjurados. Sentindo a morte aproximar-se, Vannina pede a Deus que faça o marido acreditar que sempre lhe foi fiel. Depois despede-se de Irene e das outras damas. Entra Sampiero envolto num manto e comunica-lhe que está decidido a lavar a honra pelas suas próprias mãos. A mulher diz-lhe estar pronta mas este não consegue apunhalá-la. Entretanto ouvem-se tumultos e surge Rodolfo que vem informar Sampiero de que deve fugir, pois os conjurados já tomaram o castelo. Sampiero quer ainda matar Vannina, mas Rodolfo impede-o, relatando-lhe que Antonio, antes de morrer num dos tumultos, a havia ilibado de quaisquer culpas. Desesperado e vendo-se impossibilitado de fugir Sampiero apunhala-se. Os conjurados entram em cena nos seus últimos instantes de vida, enquanto Sampiero perde perdão a Vannina e esta morre de desgosto.»¹
Orquestra
Partitura: Biblioteca Nacional de Portugal
A ópera Sampiero é resultado da colaboração entre o compositor e pianista Francisco Xavier Migoni e o advogado e libretista radicado em Portugal Luigi Arceri. Este escreveu um libreto inspirado na história da Córsega e baseado num outro texto, Vannina d’Ornano². Migoni terá terminado a composição entre 1848 e 1849, mas teve muita dificuldade em ver a obra subir ao palco do São Carlos – ao longo da década de 40, foram vários os compositores portugueses que não tiveram oportunidade de apresentar as suas obras dramáticas³. A apresentação aconteceu finalmente a 4 de abril de 1853, numa altura em que o Conde Farrobo, então Inspetor Geral dos Teatros, acrescentou uma nova cláusula aos contratos de adjudicação para a empresa do São Carlos em que «se referia a possibilidade de poder ser representada «uma ópera de autor nacional no caso de a haver»⁴. Fruto deste investimento na produção de ópera por compositores portugueses, Sampiero tornou-se uma das óperas com maior número de récitas daquela época e não desiludiu a sua audiência. Em reação à obra de Migoni, António Pedro Lopes de Mendonça escreveu no jornal Revolução de Setembro que «os efeitos de harmonia são procurados com um cuidadoso enlevo, e os trechos de ensemble não são nada inferiores aos que tem produzido o seu modelo (Verdi) nas óperas mais mimosas do seu reportório»⁵.
Data: 1853
Local: Teatro de São Carlos, Lisboa
Elenco: Ottavio Bartolini, Rossi Caccia, Franz Maria Dalle Aste, Antonio Prudenza, Regina Perzoli, Antonio Bruni e Orquestra do Teatro de São Carlos⁶